O Advento já vai adiantado e quanto mais se adianta mais próximo nos coloca do Natal, da celebração festiva do nascimento de Jesus, Deus connosco, Aquele que vem inaugurar um tempo e um mundo de paz, movido pelo amor, pela compaixão, pelo perdão, em vista a construir verdadeira fraternidade. E se o Natal já está próximo, já não se consegue aprisionar a alegria desta celebração, expressão da Encarnação de Deus.
A liturgia da Palavra para o terceiro e quarto domingo do Advento sublinha, precisamente, a alegria. Uma alegria que se alicerça em Deus, na certeza das Suas promessas, da Sua chegada e da Sua presença no meio de nós. Esse é também o fundamento da nossa esperança que marcará o Jubileu 2025 e nos fará peregrinos de esperança.
Com efeito, o terceiro Domingo do Advento é designado como o Domingo da Alegria. Ultrapassámos metade deste tempo litúrgico e ficamos às portas do Natal. Já não podemos conter o que nos vai na alma, o que nos preenche o coração e há de inundar a nossa vida. Não é mero contentamento, exterior, para inglês ver, mas alegria que vem de dentro e é sustentada pelo alto, por Deus. A figura de João Batista desafia-nos ao compromisso concreto com os mais desfavorecidos para que a alegria seja verdadeiramente Boa Nova. Certos estamos que uma alegria que não nos ligue aos outros e não nos comprometa com as suas dificuldades e sofrimentos não passará de uma alegria supérflua e inútil, dispensável. A alegria cristã agrafa-nos a Jesus Cristo e levar-nos-á a agir do mesmo modo, gastando-nos, inteiramente, em prol dos demais.
No quarto Domingo do Advento, a figura de Maria ocupa um lugar muito especial, pois é Aquela que Deus escolheu para ser a Mãe do Seu filho amado. No episódio da Visitação, Isabel expressa a alegria do encontro, a fé na ação redentora de Deus. É chegada à salvação: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».
A alegria, com efeito, é fruto do Espírito Santo e sustenta-se na esperança. A tal esperança que não engana porque Deus não pode e não quer enganar-nos, garantindo-nos a vida, no tempo e na história, mas também na eternidade!
Na sua Carta Pastoral para este ano, D. António liga-nos ao Jubileu da Esperança, pois assim foi e é o desejo do santo Padre. É uma esperança em peregrinação, cujas festas – a Páscoa, as Semanas ou Pentecostes e as Tendas – expressam a festa que é o encontro com Deus e com os irmãos. “Sendo um encontro marcado com Deus e com os irmãos, então é sempre um espaço de alegria, de filialidade e de fraternidade”.
Prossegue o nosso Bispo, contextualizando e aprofundando as razões da nossa alegria e da nossa esperança, “e se a FESTA é de Peregrinação, como são a PÁSCOA, as SEMANAS ou PENTECOSTES e as TENDAS, então a alegria, a filialidade e a fraternidade são ainda mais marcantes e intensas, dado que FESTA de PEREGRINAÇÃO… significa círculo, e, portanto, família, lareira, encontro, alegria, música, roda, dança, vida. Portanto, alegria, alegres no Jubileu, alegres na Esperança”.
Conjugando alegria com esperança, alegres na esperança, questiona D. António: “Face ao exposto, podemos desde já perguntar qual das duas peças do binómio, a alegria ou a esperança, pesa mais no respetivo prato da balança? Não sei o que pensa cada um. Mas sei o que pensa são Paulo… [que] convida a uma atitude permanente de alegria”, desafiando-nos: «Por causa da esperança, vivei na alegria». A esperança deve ser, portanto, a nossa aposta, pois é ela a causa da alegria, o poço de onde pode transbordar a alegria”.
Para que a nossa alegria seja completa, deixemo-nos inundar pela esperança e pela presença do Senhor, nosso Deus e Deus connosco.
Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 95/6, n.º 4783, de 18 de dezembro de 2024



