HomeDestaquesSó Deus basta

Esta é uma expressão bem conhecida de santa Teresa de Jesus (santa Teresa de Ávila): “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança, quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta”.

Dificilmente, teremos a maturidade da fé para fazermos semelhante afirmação, mesmo que o repitamos em tantas palavras rezadas e em tantos cânticos entoados. Como os apóstolos, muitas vezes, caber-nos-á assumir a nossa humildade e os nossos medos, predispondo-nos a acolher a bondade de Deus, a deixar-nos preencher pelo cuidado de Jesus. Santa Teresa de Jesus continua a inspirar muitas vidas. Depois dela, outra Teresa, Teresa do Menino Jesus (Teresa de Lisieux), que escolheu o Carmelo e o nome para viver a mesma ligação a Jesus, santificando-se pelo amor nas pequenas coisas.

Posteriormente, santa Teresa Benedita da Cruz. Edith Stein nasceu a 12 de outubro de 1891; o pai morreu antes dela completar dois anos de idade e a mãe não conseguiu inculcar nos filhos a sua fé viva, fé judaica. Edith dedicou-se então a uma vida de estudos filosóficos na Universidade de Breslau. No ano de 1921, Edith visita um casal convertido ao Evangelho. Na biblioteca deste casal, encontra a autobiografia de santa Teresa de Ávila. Edith lê o livro durante toda a noite. “Quando fechei o livro, disse para mim própria: é esta a verdade”. E assim se fez batizar, querendo imitar Santa Teresa de Jesus na vida religiosa. Viria a ser morta no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau (Polónia), como religiosa católica, sem deixar de ser judia.

Mais recentemente, santa Teresa de Calcutá, Inês pelo batismo, ao seguir a vida religiosa escolheu o nome em homenagem a santa Teresa de Lisieux. Por certo haverá muitas outras teresas e muitas outras mulheres que no dia a dia se dedicam de coração a fazer o bem, testemunhando a mesma santidade de Deus.

Mas regressemos a Santa Teresa de Ávila: “Tu me moves, Senhor, / Move-me ver-Te… / Move-me ver teu Corpo tão ferido… / Move-me enfim o teu amor, / E de tal maneira, / Que ainda que não houvesse Céu eu Te amaria”.

Nasceu em Ávila, a 28 de março de 1515, sendo batizada com o nome de Teresa de Ahumada. Lê a vida dos santos, depois livros de cavalaria, tornando-se centro de atenções. Aos 17 anos entra nas Agostinhas de Grácia, como interna, prosseguindo na Encarnação de Ávila. Aqui levou uma vida folgada. O seu lucatório era espaço onde se encontrava a alta sociedade de Ávila. Um dia, no lucatório, fixou-se numa imagem de Cristo atado à coluna. Caiu em si, vendo o que Jesus tinha feito pela humanidade. Aos 40 anos faz a entrega definitiva a Deus. Aos 45 anos teve as primeiras visões e, um ano depois, funda o primeiro convento reformado, são José de Ávila. A ânsia de reforma espiritual, leva-a a percorrer a Espanha, fundando diversos conventos. Faleceu no dia 4 de outubro de 1582. Celebramos a sua memória litúrgica a dia 15 de outubro.

É considerada um dos maiores génios que a humanidade já produziu, possuía uma viva e arguta inteligência, num estilo vivo e atraente e com um profundo bom senso. Foi canonizada em 1622, pelo Papa Gregório XV e, em 1970, proclamada Doutora da Igreja, pelo Papa Paulo VI, juntamente com Santa Catarina de Sena.

“Estando presente tão bom amigo, Jesus Cristo, tudo podemos suportar. Ele é ajuda e dá forças; nunca falta; é verdadeiro amigo… Não se procure outro caminho… é por aqui que se vai seguro… Sempre que pensarmos em Cristo, lembremo-nos do amor com que Ele nos concedeu tantas mercês e da caridade que Deus mostrou ao dar-nos em penhor o próprio amor que tem por nós. O amor pede amor. Procuremos, pois, ir meditando nisto e despertando-nos para amar. Na verdade, se o Senhor nos concede uma vez a graça de nos imprimir no coração este amor, tudo será fácil para nós e muito faremos em breve tempo e com pouco trabalho”.

Só Deus basta quando deixamos que Ele nos enriquece e preencha com o Seu amor.


Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 95/45, n.º 4822, de 15 de outubro de 2025

Deixe um comentário