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Silêncio, um bem essencial

Vivemos uma crise de escuta e uma necessidade de silêncio.

Estamos mergulhados em barulho, trânsito, televisões, notificações de telemóvel, conversas vazias e queixumes infundados.

Ouvimos muita coisa, mas não paramos, não mergulhamos em silêncio para conseguimos escutar…

Somos desconhecidos de nós próprios. Reconhecemos a nossa imagem no espelho, identificamos a nossa voz numa gravação, e pouco mais.

Não nos conhecemos porque não somos, não vivemos. Passamos os dias mergulhados num turbilhão de coisas, replicamos movimentos e ideias dos outros, e seguimos para o dia seguinte, vazios.

É imperativo imergir no nada… no silêncio profundo do nosso ser… e escutar.

Escutar o nosso coração e a nossa alma, escutar Deus que tenta falar connosco e tão poucas vezes tem êxito.

Se não obtivermos a capacidade de nos escutarmos a nós próprios, é impossível escutar o outro, e por isso, impossível escutar Deus.

O mundo é uma piscina de distrações que nos desvia do básico, do essencial. Transforma-nos em meras marionetas na indústria no consumismo, do banal, do irrisório.

Nascemos do nada e sem nada iremos partir deste mundo. Mas passamos a vida a tentar agarrar tudo o que passa à nossa volta sem nos apercebermos do básico e do essencial.

Quem já fez retiros espirituais revela que se ‘encontrou’. Foi preciso afastarem-se de tudo e de todos, mergulhar no silêncio, na paz, nas pequenas coisas para conseguir ouvir e se conhecer.

Nem sempre é fácil, temos as nossas tarefas diárias em casa, trabalho, família para cuidar mas, num dia com 24 horas, podemos e devemos dedicar, exclusivamente, uns minutos a nós, a Deus… parar, parar e sentir, parar e escutar. Ir à essência que é a causa de estarmos aqui. Perceber o que, efetivamente, se passa à nossa volta, e seguir, confiantes e conhecedores, cheios e revigorados.

Parar uns breves minutos, respirar profundamente, deixar que o Espírito Santo nos preencha… simples, e tão fundamental… o suficiente para nos reorganizarmos e recentrarmos.


Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/10, n.º 4835, de 28 de janeiro de 2026

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