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Religião

Romaria de santa Eufémia de Pinheiros

O dia 16 de setembro é uma data significativa para Pinheiros e arredores. Antigamente, era a partir da romaria de santa Eufémia que se iniciavam as vindimas. Esse tempo já lá vai. E na passagem por Tabuaço, àqueles peregrinos que atravessavam a paróquia ou daqui partiam, havia uma paragem obrigatória na Capela de são Plácido (numa das entradas/saídas de Tabuaço). Nesta capela, há uma belíssima imagem de santa Eufémia. Os peregrinos paravam, deixavam a esmola, e levavam consigo uma pagela com a imagem desta santa e com a inscrição: Santa Eufémia que se venera em Tabuaço. E seguiam para a grande romaria de Pinheiros, onde se punham as contas em dia, positiva e belicamente falando.

Na atualidade, continua a ser uma referência nas festas do concelho, atraindo pessoas das diferentes paróquias de Tabuaço, mas também de paróquias limítrofes dos concelhos vizinhos, de Armamar e de Moimenta da Beira. Já não se veem tantas pessoas a pé, agora deslocam-se de táxi, em carro próprio ou à boleia. Logo pela manhã, a celebração da primeira Missa, permitindo que alguns participem na romaria, cumpram as suas promessas, façam os seus pedidos e regressem a tempo de outros compromissos. Participaram, mais uma vez, utentes e funcionários dos Lares de Barcos e de Tabuaço.

A Missa da festa é celebrada no final da manhã e, entre as duas Missas, celebra-se o sacramento da Penitência, havendo vários sacerdotes a confessar.

Este ano o pregador foi o Pe. Tiago Torres, pároco de Barcos, Adorigo e santa Leocádia, e responsável diocesano da Pastoral Juvenil. No decorrer da pregação, o Pe. Tiago partiu do significado da palavra martírio, testemunho, para dizer que que essa é também a missão de cada um de nós. Alguns tiveram que dar o testemunho com a própria vida. Mas não apenas em tempos idos. Num dos países com mais católicos (praticantes), a Nigéria, continua a haver mártires e ainda assim os cristãos participam ativamente na vida da comunidade. Saem para ir à Missa, mas não sabem se regressarão, pois, poderão ser mortos. Ainda assim, vão, participam, fazem questão. Vivemos em contexto mais pacífico, mas precisamos da mesma fé e de dar o mesmo testemunho. Eles enfrentaram perseguições e sujeitaram-se a morrer por amor, por amor a Jesus, em nome de Jesus. É um amor indiviso. São para nós intercessão, mas também desafio.

Santa Eufémia nasceu por volta do ano 288, na cidade de Calcedónia e foi morta a 16 de setembro do ano 304. Muito jovem, portanto! A família era nobre e respeitável. Procurava viver e ensinar os ideais cristãos. Com o imperador Diocleciano, as perseguições do império aos cristãos acentuam-se. Eufémia testemunha a crueldade nas acusações, nas torturas e na morte de muitos cristãos, só por terem esse nome. Não fraqueja. Os mártires incentivam-na a também se apresentar como cristã, pronta para o sacrifício, por amor a Jesus Cristo. Prisco, o procônsul, juiz perseguidor, dá-lhe a oportunidade, como jovem, bela e nobre, de renunciar à sua fé. Eufémia mantém-se firme, sofrendo, por isso, diversos tormentos. Não vacila.

Diz o grande Santo Ambrósio: “A santa e gloriosa Eufémia conservou a virgindade e mereceu ser cingida com a coroa do martírio”.

A festa, na sua vertente mais religiosa, é precedida de uma novena preparatória, com a recitação do Terço, em honra de Nossa Senhora, com a celebração da santa Missa e com a pregação diária. A padroeira primitiva era Nossa Senhora do Rosário, na ligação ao santuário de santa Maria do Sabroso.

No dia 17, a festa continua, desta feita em honra de santa Bárbara. A procissão segue o mesmo trajeto, mas neste dia faz uma paragem junto da Capela de santa Bárbara para a celebração da Eucaristia.

Com santa Bárbara se visualiza o mesmo amor que tantos santos mártires experimentaram, como sublinhou o Pe. Tiago. É a opção pelo amor, mesmo que este exija sacrifícios e que, por vezes, nos conduza à morte. Cristo morreu e ressuscitou. Fomos salvos neste mistério pascal e nada nos poderá separar do amor de Deus (cf. Rom 8, 31). Há algo que ninguém nos poderá tirar: a vida eterna, o amor de Deus em nós e por nós. Como santa Bárbara, “procuremos também nós ter aquilo que não nos pode ser tirado” (santo Ambrósio). Há uma história que fala em feras e em flores. As flores são o bem-estar, a saúde, a tranquilidade. As feras o que nos faz sofrer. Mas nem tudo o que significa “fera” é para desperdiçar. A opção pelo amor a Jesus Cristo pode conduzir-nos a sacrifícios e levou muitos à morte, mas prevaleceu a comunhão na eternidade. Também isto nos ensinam os mártires. Como cristãos vivemos entre as flores e as feras, o importante é manter-nos unidos a Jesus e testemunhá-l’O com alegria e com amor na nossa vida.

Se a vertente religiosa é imprescindível, também são importantes os momentos de convívio, partilha, proximidade, com “comes e bebes”, com espaços para a partilha de farnéis, serviço de almoços, música com a Banda Filarmónica em arruada ou concerto durante a tarde, grupos musicais durante a noite. A festa é razão para que os naturais regressem para reviver momentos, matar saudades, encontrar amigos e conhecidos, e familiares e assim celebrar a vida, com os que estão, com os perto e os de longe, e os que nos visitam!


in Voz de Lamego, ano 96/42, n.º 4867, de 23 de setembro de 2026.

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