Quem teve a graça de, por estes dias, vivenciar a Nossa Senhora da Conceição, conseguiu ter uma ideia do que é ter um coração totalmente entregue a Deus.
Supostamente, todos os cristãos, após o seu Batismo, deveriam ter um coração aberto às graças e maravilhas do Senhor, mas nem sempre é assim, nunca é assim…
Somos reles pecadores, por muitas ideias de perfeição ou de grandeza que tenhamos, somos reles pecadores, mal-agradecidos e completamente à deriva.
Ouvimos as palavras do Senhor, batemos com a mão no peito, criamos juízos de tudo e de todos, somos seres perfeitos e imaculados… mas isto, só no nosso pequeno e ridículo mundo próprio.
Não sabemos viver em comunidade, somos os primeiros a olhar para o lado quando se aproxima o sofrimento de alguém. A trave que trespassa os nossos olhos é, de tal forma grande, que somos incapazes de ver para além daquilo que achamos que somos. Porque, efetivamente, não nos conhecemos! Se nos conhecêssemos, teríamos vergonha! Vergonha na nossa maledicência, inveja, raiva e egoísmo.
O primeiro passo para a cura é aceitar a doença, como pecadores, nunca chegamos a dar o primeiro passo para a redenção, a vida toda… vamos fazer a confissão na certeza de que não temos pecado, comungamos como se fôssemos réplicas de seres perfeitos e imaculados… mas, não passamos de reles pecadores!
A vida não é aquilo que achamos, nós não somos o que pensamos, ter perfeita noção disto é o primeiro passo para começar na caminhada até Deus!
Falta-nos coragem em dizer “Sim Senhor, estou aqui para Ti”, falta-nos o amor para estender a mão ao próximo, falta-nos a humildade da entrega ao Senhor e ao próximo.
Jesus ensinou-nos tudo, Maria, concebida sem pecado, exemplificou tudo.
De pouco basta ler as escrituras, de pouco vale orações atrás de orações, se não dizemos “sim”, se não nos levantamos e colocamos os ensinamentos em prática.
Não sejamos hipócritas, não somos mais do que ninguém, somos reles pecadores.
Saibamos reconhecer as nossas faltas, tenhamos coragem para compromissos definitivos, dos compromissos que envolvem e abarcam toda a vida, vida em Deus e por Deus!
Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/05, n.º 4830, de 10 de dezembro de 2025



