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Prof. Guilherme Bernardo – “Velha Glória” do SC Lamego

Foi há 50 anos e ficou registado em notícia. À época, era eu o “repórter” do clube e fazia as crónicas dos jogos para o jornal “Voz de Lamego”. Passou-me agora pelas mãos este exemplar, janeiro de 1975, referente ao jogo em Leça da Palmeira. Uma crónica na qual começo por anunciar a estreia de Guilherme, acabada que foi a sua comissão na “Guerra Colonial”, Moçambique. Um regresso Feliz para quem serviu a Pátria e, de volta às origens, sem traumas, sentiu-se apto e disponível a dar continuidade à sua vida pessoal, desportiva e Profissional (Professor do Ensino Básico e Professor de Educação Física). Foi mais um elemento que veio reforçar o plantel, na gloriosa e inédita época, 1974/75, gerida pelos Atletas!  

Foi esta notícia que me “desafiou” fazer mais uma narrativa, sobre o Companheiro e Amigo de uma vida, Guilherme Horácio Queirós Bernardo, 28/03/1951. Tudo começou no desporto do Liceu de Lamego, era ele atleta num escalão inferior ao meu. Como aluno mais velho, eu coadjuvava o saudoso Prof. Girão no Desporto Escolar. Aqui começou a nossa Amizade, que haveria de continuar nos Remédios, ao serviço do SC Lamego.

Foram 12 temporadas, (1968/84) em que partilhámos o mesmo balneário, com todas as incidências desportivas inerentes à época. Saboreámos boas vitórias, como sofremos amargas derrotas, para além de muitas outras ocorrências e histórias em que o futebol é fértil. Em suma, vivemos muitas épocas em que o SC Lamego tinha um estatuto de equipa nacional, que passeou ao longo dos anos. Embora o Guilherme fosse polivalente na zona da defesa e meio campo, foi no centro da defesa que formámos dupla durante algumas épocas. Uma carreira que primou pelo Desportivismo nas mais diversas circunstâncias. Em todas as situações a nossa Amizade foi sempre intocável! A seriedade, responsabilidade e o espírito desportivo prevaleceu acima de tudo.

Como curiosidade, referir que o Guilherme foi bastante azarado na sua carreira desportiva. Foram várias as lesões, algumas com gravidade, mas que nunca o levaram a desistir. Regressou sempre com a mesma motivação e continuou com o seu espírito de luta a dar o contributo ao clube. Depois de ter terminado a carreira de atleta, ainda serviu o SC Lamego como Treinador, durante alguns anos. Felizmente, desse tempo, ficaram muitas imagens, fotos, que nos ajudam a recordar Companheiros, momentos e resultados da nossa atividade desportiva, no Clube mais representativo da cidade.

Para além de todas estas referências desportivas como atleta do SC Lamego, merece realce no seu currículo pessoal a nomeação para Diretor do Complexo Desportivo (IND), 1988/97. Cargo que desempenhou com eficiência, num projeto à época tido como de muito futuro. Na sua “gerência” foi construída uma nova bancada e eletrificado o retângulo de jogo, o que proporcionou ao Clube e aos Lamecenses melhores condições para a prática do futebol.

Como o Desporto era, e continua a ser, a sua paixão, um realce especial para a participação de Lamego nos JOGOS SEM FRONTEIRAS (1996, 1998). Ficaram na memória de todos, as boas prestações da equipa representativa do Município de Lamego, que sob o seu comando obteve excelentes resultados.

Agora, em tempo de reforma, continua a dar o seu contributo à Associação de Voleibol de Viseu (Lamego), e outras Instituições de carácter social (Liga dos Amigos do Hospital, Liga dos Combatentes …), mas sempre atento a tudo quanto diz respeito ao Desporto. Como tal, algumas vezes combinamos ir aos Remédios ver o nosso SC Lamego, no mesmo palco, recordar velhos tempos da nossa juventude. Infelizmente, as exibições e classificação que o Clube ocupa, deixam-nos desgostosos, pese embora a boa vontade e dedicação de Atletas, Diretores e Massa Associativa…


João Duarte Rebelo “Festa”, in Voz de Lamego, ano 95/50, n.º 4827, de 19 de novembro de 2025

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