Mais luz, mais canto e mais oração!!!
Todos os anos, quase sem darmos conta, a natureza começa lentamente a transformar-se. Depois dos meses quentes de verão, que ficaram gravados na nossa memória pelos terríveis e devastadores incêndios, depois dos meses frios do inverno, que marcaram o nosso país pelas tempestades e cheias, surgem as primeiras flores, os campos voltam a ganhar cor e a vida parece recomeçar. A Primavera traz consigo uma sensação de renovação, de esperança e de recomeço.
Não é por acaso que a Páscoa é celebrada na Primavera. A Páscoa, centro da fé cristã, recorda a ressurreição de Jesus Cristo, sinal de que a vida é mais forte do que a morte e de que a esperança nunca é em vão, seja no ciclo da natureza, seja na vida do ser humano. Tal como a natureza desperta após o inverno, também o coração humano é convidado a renovar-se.
A Primavera recorda-nos que, mesmo depois dos períodos mais difíceis, a vida encontra sempre caminho para voltar a florescer. Da mesma forma, a Páscoa lembra-nos que Deus nunca abandona o ser humano e que, através de Cristo, somos chamados a uma vida nova.
Num mundo tantas vezes marcado pela guerra, pela injustiça e pelo egoísmo, onde o medo, a incerteza e o desânimo parecem tomar as rédeas da sociedade, a mensagem pascal continua atual e mais do que nunca necessária: é sempre possível recomeçar.
Assim como a terra se renova na Primavera, também cada pessoa pode renovar a sua fé, a sua esperança e a sua capacidade de amar, deixando para trás os ódios e os desejos de vingança.
Celebrar a Páscoa é, portanto, muito mais do que recordar um acontecimento do passado. É aceitar o convite de Cristo para deixar que a luz da ressurreição transforme a nossa vida e nos ajude a levar esperança aos outros.
Gostaria de refletir convosco, no resultado de um estudo realizado recentemente, que concluiu que nas cidades onde existe muita iluminação artificial, os pássaros começam a cantar mais cedo e acabam por cantar mais uma hora por dia. A presença de mais luz faz com que o canto deles se prolongue durante o dia.
Este pequeno facto da natureza pode ensinar-nos algo profundo, relacionando-o com a Páscoa, a festa da Luz e da Vida para todo o ser humano.
Se mais luz faz os pássaros cantar mais, então também nós, que recebemos pela Ressurreição de Jesus Cristo uma luz muito maior no coração, somos chamados a rezar mais e louvar mais a Deus.
Os pássaros não precisam de discursos nem de explicações. Basta aparecer mais luz… e eles começam a cantar.
E então surge uma pergunta para nós cristãos:
Se mais luz faz os pássaros cantar mais, o que deveria fazer em nós a luz de Cristo?
Porque nós recebemos uma luz que não é apenas a do sol ou das lâmpadas. Recebemos a luz de Jesus Cristo vivo e ressuscitado, que disse:
“Eu sou a luz do mundo”.
Quando essa luz entra no coração de uma pessoa, algo deveria acontecer naturalmente: o coração começa a louvar, a agradecer, a rezar.
Os pássaros cantam porque nasce o dia.
O cristão reza porque nasceu uma luz dentro de si.
Certamente muitas vezes vivemos rodeados de muitas luzes exteriores — trabalho, preocupações, tecnologia, distrações — mas esquecemo-nos da luz mais importante: a presença de Cristo Ressuscitado no nosso coração.
Que possamos aprender com a criação:
assim como o amanhecer faz cantar os pássaros, que a luz que brota da Ressurreição de Jesus Cristo faça também nascer em nós, mais momentos de oração, de gratidão e de louvor.
Que esta Páscoa seja, para todos nós, uma verdadeira Primavera de renascimento interior, porque um coração iluminado por Cristo não fica em silêncio — transforma-se em canto e em oração.
Pe. Basílio Firmino, in Voz de Lamego, ano 96/20, n.º 4844, de 8 de abril de 2026




