Resposta imediata, como aprendemos na catequese em relação a Deus, podemos encontrar Jesus em toda a parte. Mas, assim nos é garantido pela Sagrada Escritura, a condição primeira não está em nós, está em Deus que nos procura e vem ao nosso encontro. Em Jesus Cristo, Deus assume-nos, torna-Se um de nós, um connosco, facilmente identificado, com morada conhecida, localizada espacial e temporalmente. Podemos vê-l’O, segui-l’O, podemos abraçá-l’O, podemos agredi-l’O e até matá-l’O.
Pois, isso já aconteceu!
Veio para o que era seu e os seus não O receberam, não O reconheceram e, ainda assim, O perseguiram e mataram!
Aquela sexta-feira poderia ter sido o final de uma história de bondade e de ternura, em que se manifestaram os corações dos judeus, ora alegrando-se por ver como Deus continuava a realizar maravilhas em favor do Seu povo e em prol da humanidade inteira, ora enraivecendo-se por estarem perante mais um idólatra, um sonhador, mais um vendedor de promessas fáceis, ameaçando o estatuto de classes dirigentes que viviam à custa da ignorância, da superstição e da pobreza de muitos. Prevaleceu a vontade de poucos e a sede de sangue de uns quantos, manipulando a multidão sob a ameaça do medo e de possíveis retaliações das autoridades romanas.
Veio a noite, a manhã, fez-se noite novamente e eis que, ao terceiro dia, Jesus semeia sinais que obrigam a procurá-l’O, já não túmulo, na noite, nas trevas, mas onde a vida germina, nos caminhos em que nos encontramos e nas casas que habitamos.
Nos diferentes relatos das aparições, constatámos que as primeiras a serem encontradas por Jesus são Maria Madalena (cf. Jo 20, 11-18) e a outra Maria (Mt 28, 8-15), seguem-se Simão Pedro, dois discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), os Onze apóstolos e outros discípulos (cf. Lc 24, 35-48). Em todos os relatos se pode verificar a desilusão dos discípulos, indo chorar ao túmulo ou regressando a casa ou estando em casa de portas fechadas com medo.
É Deus quem toma a iniciativa… cria-nos por amor, por amor procura-nos… por amor vem em Pessoa, encarnando, mostrando que o caminho que nos faz regressar ao Seu coração, o caminho que nos salva, passa pelo amor, pela bondade, pelo serviço. O nosso espelho há de ser Jesus, o modo como Se faz próximo, não fazendo aceção de pessoas, convivendo com publicanos e pecadores, deixando-Se encontrar por leprosos, surdos, mudos, coxos, mulheres de vida duvidosa, estrangeiros, impuros. Onde a vida pulsa, Jesus está, nas Bodas de Caná ou junto da multidão que chora os seus defuntos. Nas alegrias e na festa, nas tristezas e no luto. Onde estamos, Jesus vem, depois cabe-nos descobri-l’O e deixarmo-nos interpelar por Ele.
Num dos textos proclamados, vemos os dois discípulos de Emaús que, tristes, regressam à sua povoação. Jesus “aparece-Lhes” do nada e caminha com eles. Na troca de palavras, Jesus explica as Escrituras Sagradas que falam das promessas e do Messias que haveria de vir. Quando se aproximam da povoação, são os discípulos que O convidam a entrar, a sentar-Se à mesa, a pernoitar. Fica a sensação que é Jesus a “incentiva” o convite que aceita prontamente. É Ele que toma o pão, recita a bênção e distribui o pão, vislumbrando-Se o gesto da Última Ceia e, mais uma vez, deixando-Se perceber na partilha do pão. Reconhecendo-O, os discípulos enfrentam o medo e vão anunciar o que aconteceu aos outros discípulos, voltando a Jerusalém.
Podemos encontrar Jesus na Palavra proclamada e refletida, podemos encontrá-l’O nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia, podemos encontrá-l’O nos irmãos. Ele quis ficar connosco. Como sublinha a Irmã Maria Amélia Costa, Jesus diz-nos: “Minha casa pode ser a tua casa, / Minha casa tem o nome do Irmão / Minha casa é tão perto podes ver, / Minha casa pode ser teu coração / Minha casa é o templo é o mundo / Minha casa é também a tua rua / Minha casa não tem número nem lugar / Minha casa fica ao lado da tua”.
Procuremos Jesus, deixando-nos encontrar por Ele e, encontrando-O, acolhamo-l’O, anunciando-O a todos, com a voz e com a vida.
Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 96/22, n.º 4847, de 22 de abril de 2026




