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O nosso bem-estar e a opinião alheia

O nosso bem-estar vale muito mais do que a opinião alheia

Ser feliz talvez não seja tão fácil e tão simples quanto possa parecer.

Ser feliz, nos dias que correm, parece ser uma exigência da sociedade, ao mesmo tempo que parece ser um contrassenso.

Tudo à nossa volta nos obriga a estar constantemente a sorrir, feliz e contente. Se nos apresentamos perante alguém um tanto ou quanto cabisbaixo, ou um pouco mais taciturno, debitam no imediato um rol de possíveis causas e respetivas propostas de resolução… um universo de psicólogos diplomados via internet.

Estar mal, ou menos bem, faz parte da essência humana. Quem tem o mínimo de consciência, perante as dificuldades e incertezas que vivemos atualmente, o estado gravíssimo das guerras e do meio ambiente, o futuro incerto que se avizinha para nós e para os nossos mais pequenos a longo prazo, é de se preocupar e retirar a boa disposição.

Evidentemente que existe todo um mundo de pequenas e importantíssimas coisas ao redor, a que nem sempre damos a devida importância, e que podem ter um poder transformador do nosso ânimo. A brisa, o silêncio, o perfume das flores, a beleza dos montes e vales… tudo nos foi dado por Deus. Ser cristão é sinónimo de ser feliz, nas palavras do Papa Francisco, e de facto é verdade. No entanto, um cristão a assistir ao que está a acontecer tem o direito de se entristecer, de se revoltar.

Não temos de estar felizes só porque os outros esperam isso de nós, ou porque não queremos preocupar, ou levantar ‘suspeitas’. Fingir, forçar um bem-estar que não existe apenas recalca a mágoa e impede o extravasamento que irá permitir acalmar e cicatrizar a ferida.

O mais importante na nossa vida, a primeira prioridade deve ser sempre o ‘eu’. Não que sejamos egoístas ou irracionais, mas sim porque se nós não estivermos bem, como iremos conseguir tratar dos nossos, protegê-los e lutar por eles? Vivemos demasiado em função do outro, dos pensamentos dos outros.

A nossa vida é nossa, uma bênção dada por Deus, devemos ser os primeiros e preocupar-nos connosco e a cuidar deste presente que é a vida.

Se estamos bem, ótimo! Se não estamos tão bem, sejamos o que nos vai na alma, sem medo de represálias, procuremos ajuda, afastemo-nos de quem, e do que nos faz mal. A nossa vida deve ser mais prioritária do que as opiniões alheias.

Só com uma mente recomposta e tranquila é que podemos chegar à felicidade pura e sincera.


Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 94/03, n.º 4731, de 22 de novembro de 2023.

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