HomeCrónicasO medo do desconhecido

«A imortalidade verdadeira pela qual aspiramos não é uma ideia, um conceito, mas uma relação de comunhão plena com o Deus vivo» Bento XVI

Aproxima-se um dos dias mais sentimentalmente ambíguos, o dia dos Fiéis Defuntos.

Familiares e amigos reúnem-se no cemitério à volta das campas recordando e sorrindo com o ente querido que agora repousa. Logo a seguir somos assaltados pela saudade desses mesmos momentos.

Bento XVI referia que “Na realidade, o caminho da morte é uma senda da esperança, e percorrer os nossos cemitérios, como também ler as inscrições sobre os túmulos é realizar um caminho marcado pela esperança de eternidade.”

Por muito que se diga que acreditamos na ressurreição, é inevitável sentir esta tristeza e este medo pelo que a morte nos proporciona. Somos humanos e, como tal, sofremos com o desconhecido, embora tenhamos fé na vida eterna. O que nos acontecerá com a morte? Para onde vamos exactamente? Onde estarão os nossos familiares e amigos que já partiram?

Bento XVI assumia também, pessoalmente, este medo “Apesar de toda a confiança que tenho de que o Deus amoroso não me pode abandonar, à medida que alguém se aproxima mais de seu rosto, mais intensamente sentirá o quanto fez mal. Sobre isso, a carga da culpa pesa sempre sobre alguém, mas a confiança básica sempre está lá”.

Na última Missa a que presidiu, enquanto Papa, em sufrágio dos cardeais e bispos (3 de novembro de 2012), após a comemoração de todos os fiéis defuntos, Bento XVI sustentou que “o ser humano de todas as épocas procura uma fresta de luz que faça esperar, que ainda fale de vida. “Como respondemos, nós cristãos, à questão da morte? Respondemos com a fé em Deus, com um olhar de esperança firme que se funda na Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Então a morte abre-se à vida, àquela eterna, que não é uma cópia infinita do tempo presente, mas algo completamente novo. A fé diz-nos que a imortalidade verdadeira pela qual aspiramos não é uma ideia, um conceito, mas uma relação de comunhão plena com o Deus vivo”.

«Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá» (Jo 11, 25-26).


Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 95/47, n.º 4824, de 29 de outubro de 2025

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