HomeCrónicasNasceu a Igreja!

O Espírito Santo desce sobre os apóstolos, cinquenta dias depois da Páscoa, e assim, nasce a Igreja.

Fechados numa casa, marcados pelo medo e pela incerteza, de repente, encontram coragem para sair e falar ao mundo.

Após surgir um vento impetuoso, “línguas de fogo” aparecem e caem sobre cada um, ficam todos cheios do Espírito Santo e começam a falar outras línguas. Os outros, escutam-nos cada um na sua própria língua, anunciando as maravilhas do Senhor.

A Igreja nasce plural e adaptada a cada um e não através da imposição de uma língua única, de uma cultura dominante ou de um pensamento uniforme. A riqueza está na diversidade que se complementa.

Este nosso tempo é marcado pela fragmentação, pela polarização e pela dificuldade de entendimento. A Igreja contemporânea enfrenta crises profundas: perda de credibilidade, afastamento das novas gerações, tensões internas, escândalos, divisões ideológicas e dificuldade em dialogar com uma sociedade cada vez mais diversa. Muitas vezes fala, mas nem sempre consegue ser compreendida. As próprias comunidades tentam isolar-se, cada vez mais, dos estrangeiros como se fossem um mal perigoso e contagioso.

Pentecostes sugere um caminho diferente. O milagre não está em todos falarem igual, está em todos conseguirem compreender-se apesar das diferenças. O Espírito Santo não elimina identidades culturais, sociais ou linguísticas. Cria pontes entre elas. Pontes essenciais à vivência em comum, à partilha, à união.

O dia do Pentecostes relembra-nos a razão de estarmos aqui em comunidade, relembra-nos que somos diferentes, mas todos iguais. Cada um pode e deve ter os seus pensamentos, gostos, virtudes e defeitos, no entanto, essas características não podem construir um muro de separação, mas sim uma escada para, em conjunto, caminharmos até Deus.

Talvez seja essa a grande urgência do nosso tempo, entender o outro como um igual a nós!


Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/26, n.º 4851, de 20 de maio de 2026

Deixe um comentário