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Não sejais cópias, sede originais

O Papa Francisco, em mais de uma ocasião, insiste: “Jovens, que o Jesus vivo se torne a vossa vida! Todos os dias e para sempre. E retomo o ditado de Carlo Acutis: por favor não sejais fotocópias, cada um de vós seja original!”.

No dia 18 de maio, São João Paulo II completaria 105 anos de vida, iniciou oficialmente o seu pontificado, o Papa Leão XIV. João Paulo II, Bento XVI, Francisco e, agora, Leão XIV, cada um com o seu carisma, os seus dons, a sua identidade, para acolher e testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo, para traduzir a vivência da caridade ao jeito de Jesus, com a mesma humildade, frescura, com a mesma luz. As comparações serão inevitáveis, mas importa, no caso do atual Papa, a fidelidade a Jesus Cristo e à Igreja, na preocupação por ser sinal e expressão da esperança cristã, nas palavras e nos gestos, na opção pelos mais frágeis.

Na homilia de início de pontificado, Leão XIV faz sobressair duas palavras-chave: “amor e unidade: estas são as duas dimensões da missão que Jesus confiou a Pedro”.

A Pedro, e aos seus sucessores, cabe amar mais. Cada sucessor há de ser diferente, mas todos têm a mesma obrigação e missão de amar ao jeito de Jesus, num amor que se predispõe a dar a vida, gastando-a em favor da humanidade. “Como pode Pedro levar adiante essa tarefa? O Evangelho diz-nos que isso só é possível porque ele experimentou na própria vida o amor infinito e incondicional de Deus, mesmo na hora do fracasso e da negação… O ministério de Pedro é marcado precisamente por este amor oblativo, porque a Igreja de Roma preside na caridade e a sua verdadeira autoridade é a caridade de Cristo. Não se trata nunca de capturar os outros com a prepotência, com a propaganda religiosa ou com os meios do poder, mas trata-se sempre e apenas de amar como fez Jesus”.

Depois do luto pela morte do Papa Francisco, o conclave reuniu-se para “eleger o novo sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, um pastor capaz de guardar o rico património da fé cristã e, ao mesmo tempo, de olhar para longe, para ir ao encontro das interrogações, das inquietações e dos desafios de hoje. Acompanhados pela vossa oração, sentimos a ação do Espírito Santo, que soube harmonizar os diferentes instrumentos musicais e fez vibrar as cordas do nosso coração numa única melodia”.

Na senda dos predecessores, também Leão XIV assume com humildade esta missão: “Fui escolhido sem qualquer mérito e, com temor e tremor, venho até vós como um irmão que deseja fazer-se servo da vossa fé e da vossa alegria, percorrendo convosco o caminho do amor de Deus, que nos quer a todos unidos numa única família”.

Só no amor do Pai, que nos é revelado e trazido por Jesus, é possível caminhar juntos, construir fraternidade, fomentando a unidade. “Queremos dizer ao mundo, com humildade e alegria: Olhai para Cristo! Aproximai-vos d’Ele! Acolhei a sua Palavra que ilumina e consola! Escutai a sua proposta de amor para vos tornardes a sua única família. No único Cristo somos um. E este é o caminho a percorrer juntos – entre nós… Este é o espírito missionário que nos deve animar, sem nos fecharmos no nosso pequeno grupo nem nos sentirmos superiores ao mundo; somos chamados a oferecer a todos o amor de Deus, para que se realize aquela unidade que não anula as diferenças, mas valoriza a história pessoal de cada um e a cultura social e religiosa de cada povo. Irmãos, irmãs, esta é a hora do amor! A caridade de Deus, que faz de nós irmãos, é o coração do Evangelho”.

O lema episcopal, que passa a ser leva papal, já diz muito do que poderá ser um propósito resoluto: “In Illo uno unum”. São palavras retiradas de um sermão de santo Agostinho sobre o Salmo 127, concluindo que “embora nós cristãos sejamos muitos, no único Cristo somos um”. Amor e unidade. Esta só será alcançável por aquele amor que nos vem do Pai.


Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 95/27, n.º 4804, de 21 de maio 2025

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