Vivemos numa época em que muitas coisas se tornaram passageiras. Mudam-se os gostos, os empregos, as casas, os projetos e, tantas vezes, também as relações. Talvez por isso seja importante parar e perguntar: o que significa realmente casar, contrair o matrimónio?
Segundo os documentos da Igreja, o matrimónio nunca foi apenas uma cerimónia bonita, uma festa ou uma assinatura num documento. É uma aliança. Desde a criação, a união entre o homem e a mulher é apresentada como uma realidade querida por Deus e, entre os batizados, Cristo elevou-a à dignidade de sacramento.
É aqui que talvez tenhamos perdido alguma coisa.
Há quem escolha o casamento civil apenas por opção, por comodidade ou porque considera que a dimensão religiosa é dispensável. Naturalmente, cada pessoa é livre nas suas escolhas e o casamento civil tem o seu valor jurídico e social. Mas, para quem se diz cristão e recebeu o Batismo, não deixa de ser importante compreender que o matrimónio cristão não é simplesmente uma versão religiosa do casamento civil. É uma realidade diferente: é colocar a própria união nas mãos de Deus e aceitar que aquele amor passa a ser também uma vocação.
Mas existe também o outro lado, talvez ainda mais preocupante: aqueles que entram numa igreja para casar sem saber verdadeiramente o que estão a celebrar, o que estão ali, efetivamente, a fazer! Querem a igreja, as fotografias, o vestido, as flores, a música e a grande festa. Tudo é cuidadosamente preparado, e são gastas pequenas fortunas, no entanto, tudo é celebrado menos aquilo que deveria estar no centro: o compromisso de duas pessoas diante de Deus.
O problema não está na festa. É bonito celebrar o amor. É bonito reunir a família e os amigos. O problema surge quando a festa passa a ser o motivo principal e o sacramento apenas o cenário, o acessório.
Quando um homem e uma mulher dizem “sim” diante de Deus, não estão simplesmente a prometer que ficarão juntos enquanto forem felizes. Estão a entregar-se mutuamente e definitivamente, numa aliança de amor fiel. O Catecismo recorda que o consentimento dos esposos é o elemento indispensável do matrimónio e que, através dele, cada um se dá ao outro.
É um “sim” que não termina à saída da igreja, mas um “sim” para os dias bons e, principalmente, para os dias difíceis. Para a saúde e para a doença. Para quando há dinheiro e para quando ele falta. Para quando é fácil amar e, sobretudo, para quando amar exige paciência, perdão e sacrifício.
O matrimónio cristão não promete uma vida sem dificuldades. Promete uma vida em que dois podem caminhar juntos com a graça de Deus. O sacramento dá aos esposos a graça de se amarem com o amor de Cristo, tornando-se testemunhas da fidelidade de Deus.
Por isso, antes de escolher a igreja apenas porque “fica mais bonito”, talvez fosse necessário fazer uma pergunta mais séria: sabemos o que estamos a fazer? Acreditamos realmente naquilo que vamos prometer?
Porque casar pela Igreja não é escolher um propósito para fazer uma festa, é vestir uma aliança para toda a vida.
Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/39, n.º 4864, de 2 de setembro de 2026



