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Mãe da Igreja e nossa mãe

Há sessenta anos, no dia 8 de dezembro de 1965, na Praça diante desta Basílica de São Pedro, o Papa Paulo VI concluiu solenemente o Concílio Vaticano II. Nas palavras de Bento XVI, essa data que «remete para a imagem da Virgem à escuta, que vive na Palavra de Deus, que conserva no seu coração as palavras que lhe vêm de Deus e, reunindo-as como num mosaico, aprende a compreendê-las (cf. Lc 2, 19.51); remete-nos para a grande Crente que, repleta de confiança, se coloca nas mãos de Deus, abandonando-se à sua vontade; remete-nos para a Mãe humilde que, quando a missão do Filho o exige, se põe de lado e, ao mesmo tempo, para a mulher corajosa que, enquanto os discípulos fogem, permanece aos pés da cruz.»

O Concílio Vaticano II declarou “Mariam Sanctissimam declaramus Matrem Ecclesiae”, “declaramos Maria Santíssima Mãe da Igreja”.

Nossa Senhora é tão importante e tão presente na nossa vida que possui mais de 1100 nomes, um deles é Nossa Senhora da Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal e de todos os povos de língua Portuguesa, nossa Mãe. Festa, comemorada a 8 de dezembro, inscrita no calendário litúrgico pelo Papa Sisto IV, a 28 de fevereiro de 1477. A Imaculada Conceição da Virgem Maria foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX na bula Ineffabilis Deus, a 8 de dezembro de 1854.

Maria é um verdadeiro modelo de fé, de sabedoria, de paciência, de esperança, de caridade, de perdão.

Maria, a Senhora do Sim. O Sim, sem medo, sem receio, com fé e esperança, ainda que destroçada pelo sofrimento do Seu Filho.

Maria, o exemplo do amor a Deus e da confiança no Pai, de forma cega e pura.

Bento XVI, sobre a Solenidade da Imaculada Conceição «o homem que se abandona totalmente nas mãos de Deus não se torna um fantoche de Deus, uma maçadora pessoa consencientemente; ele não perde a sua liberdade. Somente o homem que confia totalmente em Deus encontra a verdadeira liberdade, a grande e criativa vastidão da liberdade do bem. O homem que recorre a Deus não se torna menor, mas maior, porque graças a Deus e juntamente com Ele se torna grande, divino, verdadeiramente ele mesmo. O homem que se coloca nas mãos de Deus não se afasta dos outros, retirando-se na sua salvação particular; pelo contrário, só então o seu coração desperta verdadeiramente e ele torna-se uma pessoa sensível e por isso benévola e aberta.»

«Quanto mais próximo de Deus o homem está, tanto mais próximo está dos homens. Vemo-lo em Maria.»

Neste mesmo dia, em 2005, o Santo Padre deixou o repto «Tem a coragem de arriscar com o coração puro! Compromete-te com Deus, e então verás que precisamente assim a tua vida se há de tornar ampla e iluminada, não tediosa, mas repleta de surpresas infinitas, porque a bondade infinita de Deus jamais se esgota!».


Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 95/52, n.º 4829, de 3 de dezembro de 2025

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