Alexandrina Maria da Costa nasceu em Balasar, concelho da Póvoa de Varzim, em 1904, e foi beatificada no dia 25 de abril de 2004.
O Sr. Padre Humberto Pasquale, seu segundo Diretor Espiritual, escreveu um livro sobre ela, que nos dá a conhecer a vida impressionante desta alma invulgar.
É bem sabido que a doença que tinha (mielite) a impossibilitou de se movimentar, pelo que passou os últimos trinta anos da sua vida presa ao leito e com dores intensas Longe de se revoltar com a situação, pediu a Deus que lhe desse amor ao sofrimento. Escreve o Sr. Padre Humberto que “o Senhor escutou esta súplica, de modo que a Alexandrina experimentava verdadeira alegria quando tinha dores para oferecer a Jesus, a fim de consolá-Lo e salvar-Lhe almas.”
Alexandrina dedicou realmente a sua vida a consolar Jesus nos sacrários e a salvar almas. Causa ou consequência desta sua inclinação foram os vários êxtases que teve e durante os quais falava com Jesus. Os registos desses diálogos ocupam cerca de cinco mil páginas.
Em 1952, Jesus promete-lhe que muitas almas se tornarão ardentemente eucarísticas pelo seu exemplo. Alexandrina foi mesmo uma alma profundamente eucarística, correspondendo às exortações de Jesus, que lhe mostrava a importância de visitar os sacrários (mesmo espiritualmente, como Alexandrina fazia, já que não podia deslocar-se). Daremos apenas alguns exemplos dessas exortações: “Passam-se dias e dias que Me não visitam e não Me amam […].”; “vivem como se Eu lá não estivesse […]”; “Escreve que Eu quero que se pregue a devoção aos sacrários […].”; “Eu quereria muitos guardas fiéis, prostrados diante dos sacrários, para impedirem tantos e tantos crimes.”
Um facto da sua vida ligado à devoção eucarística e atestado por testemunhas credíveis, incluindo médicos, foi ter sobrevivido cerca de treze anos alimentando-se apenas da hóstia consagrada.
Alexandrina praticou também inúmeras obras de caridade. Como se lê no livro, “Há elementos para provar que talvez não haja obra que ela não se empregasse em ajudar; dos seminários às missões; da sua Paróquia às várias congregações religiosas; das famílias pobres aos doentes e aos órfãos; das vocações pobres, masculinas e femininas, às associações pias”. Quando faleceu, não faltou quem exclamasse “Morreu a mãe dos pobres, o auxílio dos miseráveis! Desapareceu a consoladora dos aflitos!”
É ainda de referir a sua profunda devoção a Nossa Senhora, a quem sempre rezava, de quem sempre sentiu a proteção e com quem, muitas vezes, falava.
Para além de tudo isto (que é imenso) e do muito que fica por dizer, Alexandrina recebia com amabilidade, e sempre com o seu sorriso, os que a visitavam e incentivava-os a aprofundarem a vivência cristã, tendo conseguido, deste modo, muitas conversões. Jesus dir-lhe-á, numa das Suas intervenções, que “Nenhuma alma sai daqui como entrou. Quantas ressurreições!”
A casa de Alexandrina, em Balasar, e o seu túmulo, colocado na Igreja Paroquial, continuam a ser visitados por muitos peregrinos, atraídos pelas virtudes da Doentinha de Balasar (como também era conhecida) e confiantes na eficácia da sua intercessão. Como se diz no final do livro, “Seja ela modelo de santidade para todos, sobretudo para os que sofrem. Com ela, darão ao seu viver um sentido pascal.”
Margarida Dias, in Voz de Lamego, ano 96/32, n.º 4857, de 1 de julho de 2026



