Celebrámos o III Domingo do Advento, “Gaudete!”, vivemos o Domingo da Alegria!
O Jubileu dos reclusos foi programado para esta data, precisamente porque «nos lembra a dimensão luminosa da espera: a confiança de que algo de belo e alegre acontecerá.», palavras do Papa Leão XVI na respetiva homilia.
Perdoar é difícil, perdoar um preso é ainda mais difícil.
Ser recluso é um rótulo para o resto da vida, que o leva ao seu esquecimento no coração da sua comunidade.
Mas, sejamos honestos, quantos não haverá em liberdade que cometeram erros muito mais graves e nunca foram parar à prisão?
Os reclusos cumprem a sua pena, seja ela suficiente ou não aos nossos olhos, foram julgados e cumpriram a sua parte. E nós como sociedade, cumprimos a nossa parte?
Se pensarmos que podia ser o nosso filho, agiríamos da mesma forma? Talvez tentássemos tudo por tudo para que fosse reintegrado na comunidade e recebesse o perdão.
Um recluso é um irmão nosso, filho de uma mãe e de um pai que o adora, e que tudo fez pelo bem do seu filho, que sofre desesperadamente pelo mal que aconteceu e espera em Deus por dias melhores.
Nenhum de nós está a salvo de cometer um crime, todos temos uma veia selvagem que pode ser espoletada em determinadas situações, como a sobrevivência, por exemplo. E nesse caso, mereceríamos ser colocados de parte o resto da nossa vida? Mesmo estando arrependidos? Mesmo crescendo interiormente e sermos agora melhores pessoas?
Devemos pensar que aquele recluso pode ser um de nós no amanhã, pode ser ‘um dos nossos’, e devemos agir pensando nisso, por muito difícil que seja. Devemos perdoar e ajudar na sua reintegração.
Nas palavras do Papa Leão XVI «Com efeito, muitos ainda não compreendem que depois de cada queda deve ser possível levantar-se, que nenhum ser humano se reduz ao que fez e que a justiça é sempre um processo de reparação e reconciliação. Quando, mesmo em condições difíceis, se conservam a beleza dos sentimentos, a sensibilidade, a atenção às necessidades dos outros, o respeito, a capacidade de misericórdia e perdão, então, da terra dura do sofrimento e do pecado, brotam flores maravilhosas e, mesmo entre as paredes das prisões, amadurecem gestos, projetos e encontros únicos em humanidade.»
O Santo Padre deixou ainda o seu desejo para este Natal: «Que ninguém se perca! Que todos sejam salvos! É quanto deseja o nosso Deus, nisto consiste o seu Reino, em tal sentido se orienta a sua ação no mundo. Ao aproximar-se o Natal, queremos abraçar também nós e ainda com mais força o seu sonho, constantes no nosso empenho (cf. Tg 5, 8) e confiantes. Porque sabemos que, mesmo diante dos maiores desafios, não estamos sozinhos: o Senhor está próximo (cf. Fl 4, 5), caminha connosco e, com Ele ao nosso lado, algo de belo e alegre acontecerá sempre.»
Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/06, n.º 4831, de 17 de dezembro de 2025



