O relógio marcava as 8h00 da manhã, do dia 18 de julho, quando um grupo de jovens, oriundo da Vigararia de Alcobaça-Nazaré, se reuniu para iniciar uma viagem com um propósito diferente. Deixando para trás o ritmo habitual das suas rotinas à beira-mar e no coração do Oeste, o destino era Tabuaço, uma vila situada no interior norte de Portugal, entre a serra e o Douro. O objetivo da semana não era o turismo ou o lazer, mas sim uma missão de apostolado focada no apoio à comunidade, “ser um” com a paróquia, com os idosos, com as crianças, com as famílias e com todos os que cruzassem o seu caminho.
Ao chegarmos a Tabuaço, nós jovens que tínhamos deixado o clima fresco do Oeste começamos a sentir o calor, calor esse que não era apenas climático… a hospitalidade imediatamente nos fez sentir em casa, entre irmãos que pareciam conhecer-se há anos. Sentimos que o longe se fazia perto e que a alegria e aquele ruído bom da juventude invadia pouco a pouco as tranquilas ruas de Tabuaço.
Para muitos destes jovens, a experiência nas instituições marcou esta missão, a expectativa inicial deu rapidamente lugar a um ambiente de partilha e entreajuda, onde as barreiras começaram a dissolver-se através de gestos simples.
Ao mesmo tempo, esta missão foi também um caminho vivido dentro do próprio grupo, a partilha do dia-a-dia, as refeições em conjunto, os momentos de oração, a Eucaristia diária, criaram laços e, sem darmos por isso, foram crescendo como comunidade.
Os dias foram passando, entre o serviço com os idosos do Lar de Sendim, da Santa Casa da Misericórdia e de Barcos; com as crianças da Creche da Santa Casa, com as famílias de acolhimento da paróquia e com todos os que Deus foi colocando no caminho destes jovens missionários.
Descobrimos que, por vezes, basta um abraço sincero, um aperto de mão, um olhar ou a escuta atenta para transformar um ambiente inteiro. Ao longo da semana, aprendemos a olhar com outros olhos — mais pacientes, mais misericordiosos. Nem sempre foi fácil, houve desafios, encontros mais exigentes, momentos de cansaço. Mas foi precisamente aí que a missão ganhou profundidade: aprender a não julgar, a acolher, a deixar espaço para que Deus trabalhe em cada pessoa, e em cada coração. Cada um foi descobrindo que Deus acrescenta sempre mais quando colocamos os nossos talentos em prática e ao partirmos para o Rejoice, Encontro Nacional da Juventude, íamos com o coração cheio, levávamos connosco mais do que memórias, a sensação era, ao mesmo tempo, de missão cumprida… e de caminho que agora começava.
O encontro em Lamego foi o culminar desta experiência de encontro com Jesus no outro. Ali pudemos testemunhar, com tantos outros jovens, como Deus nos faz um aos pés da cruz! Agradecemos a todas as pessoas que contribuíram para que a missão se cumprisse, às que nos abriram as portas das suas casas e das suas instituições, às que nos receberam com um sorriso acolhedor e às que confiaram em nós para partilhar as suas histórias de vida: obrigado!
in Voz de Lamego, ano 96/36, n.º 4861, de 5 de agosto de 2026




