Natural da Nazaré, José Vigia Batalha Polaco, 1947, era, então, um jovem desportista que o serviço militar trouxe a Lamego. Embora já tivesse representado o Alcobaça (juniores), Nazarenos e Alhandra, aqui chegado também se entusiasmou pelo futebol do SC Lamego, ao tempo na 1ª época da 3ª Divisão Nacional. Na idade dos sonhos, os “Rangers” do CIOE instruíram-no e mobilizaram-no para a guerra colonial, na Guiné, onde cumpriu a sua missão. Antes da partida, foi alternando a instrução militar com a participação em alguns jogos, na memorável época 1968/69.
Quando regressou, 1972, Lamego voltou a estar nos seus horizontes. Aqui formou Família e tornou-se Bancário no BPSM, estabilizando a sua vida profissional e familiar. E o futebol continuou a fazer parte das suas preferências na representação da nossa cidade, nas épocas 71/72/75/76 e 77/78. Futebolisticamente, o Vigia foi um médio centro com grande fulgor físico, um verdadeiro “ferrolho” na linha média da equipa. Por imperativos ocasionais, por vezes adaptado a lugares na defesa, desempenhava com sucesso qualquer missão. Atuava sempre com grande paixão, o que se tornava uma dor de cabeça para os adversários…
Mas, pela sua enorme “irrequietude”, a sua vida desportiva continuou por diversas coletividades. Serviu o SC Régua em duas temporadas e voltou à sua Nazaré natal por outras duas épocas. Nesta senda, ainda representou como treinador-jogador o CDR Moimenta da Beira, GD Cinfães e SC Lamego onde foi campeão distrital. Como treinador deu a sua colaboração ao ADC Britiande, Tarouquense, GD Resende, Sernancelhe, Paivense, Armamar e SC Cambres.
Com o seu grande dinamismo pessoal e desportivo, esteve sempre em atividade nas mais diversas ações que pudessem dar mais crescimento e visibilidade ao clube. Entre outras atividades, fez parte da Comissão Administrativa em Autogestão dos Atletas, numa época de grande conturbação política, 1974, mas cujos resultados foram excelentes, quer desportiva como financeiramente, para a Coletividade. Foi uma época inédita no panorama nacional, numa equipa com apenas dois atletas profissionais!
Enquanto decorria a sua atividade desportiva também a vida Bancária no BPSM continuava. E aqui seriamos novamente colegas, a partir de 1973, onde muitas vezes fizemos dupla na tesouraria da Instituição, tendo sempre prevalecido a amizade e a responsabilidade! Não esqueço, ainda, a sua dedicação nos torneios interbancários de futebol, em que a Agência de Lamego obteve excelentes resultados. Bem assim nos Torneios de “Futebol de Salão” no velho pavilhão municipal, modalidade à época de grande incremento.
Parado não é o seu estilo e, como tal, o seu inconformismo levou-o há já muitos anos a criar um estabelecimento de artigos desportivos, que o ocupa na sua vida diária. E não posso esquecer que também se dedicou à Rádio, onde tinha um programa desportivo e fazia os relatos de futebol do SC Lamego, nos anos de maior fulgor da coletividade. Acrescentar ainda que desde há mais de duas décadas fomenta o torneio de “Futebol de Rua”, que movimenta largas dezenas de jovens que têm o futebol como paixão!
E muito mais poderia acrescentar à “peregrinação” desportiva deste colega de profissão e companheiro de equipa, que adotou a “dupla cidadania”, lamecense e nazareno. Agora, continuamos a encontrar-nos, onde trocamos conversas de recordações e outros assuntos atuais que merecem a nossa atenção. Os anos vão passando e o Zé Vigia vai-se ocupando na Família, no negócio de artigos desportivos e com os amigos. Não deixando de estar atento ao nosso SC Lamego e ao seu SLB.
Esta é mais uma crónica de uma “Velha Glória” do SC Lamego, Companheiro de muitas tardes desportivas …
João Duarte Rebelo “Festa”, in Voz de Lamego, ano 96/35, n.º 4860, de 29 de julho de 2026




