Outubro é um mês especialmente dedicado às missões.
Como cristãos, somos naturalmente discípulos missionários.
Se seguimos Jesus, configurando-nos com Ele, teremos de O comunicar, de O testemunhar com a nossa voz e com a nossa vida, nas palavras e obras, nos gestos e na postura. Não poderemos ser verdadeiros discípulos de Jesus se a nossa vida não transparecer essa pertença, essa identidade. Somos de Cristo. Somos outros Cristo’s para o mundo. Alimentamo-nos d’Ele, vivemos da Sua palavra, mergulhamos na Sua graça, só podemos mostrá-l’O em todos os momentos da nossa existência. Claro que o inverso também é válido, só seremos missionários se nos mantivermos ligados, como discípulos, alunos, aprendizes de Jesus. Não nos anunciamos, anunciamo-l’O.
No primeiro de outubro, celebramos a memória litúrgica de santa Teresa do Menino Jesus (Teresa de Lisieux), Padroeira das Missões. Santa Teresinha não precisou de sair do mosteiro, no qual que entrou com 15 anos, para ser considerada missionária por excelência. Desejava muito ser missionária, como cavaleira das cruzadas, como padre, apóstolo, evangelista, mártir! Sê-lo-á pelo amor, pois essa é a maior das missões, pela oração e por todos os pequenos sacrifícios que vai fazendo. “História de uma Alma” regista esses momentos, tornando-se um legado e uma interpelação para todos, sacerdotes, leigos, missionários.
Uma Igreja missionária será uma Igreja em saída, expressão tantas vezes usada pelo Papa Francisco. Uma Igreja de portas e janelas abertas! No início do seu pontificado, a 22 de outubro de 1978, o Papa João Paulo II desafiava: “Irmãos e Irmãs: não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder!… Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!”
Esta expressão será repescada por Bento XVI, ao iniciar o seu pontificado, a 24 de abril de 2005, concluindo a homilia desta forma: “Assim, eu gostaria com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal, de vos dizer hoje, queridos jovens: não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira”.
Mais próximo de nós, o apelo constantemente sublinhado por Francisco para uma Igreja em saída, missionária, de portas abertas que permitem entrar e sair.
Na Exortação Apostólica, Evangelli Gaudium (A alegria do Evangelho), sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, o Papa Francisco revisita os documentos dos seus Predecessores, recorrendo a João Paulo II, nomeadamente na Redemptoris Missio (A Missão do Redentor), e a Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi (Na proclamação do Evangelho).
Uma Igreja missionária, não é apenas o sonho do papa Francisco, mas da Igreja toda, de cada cristão e, como é óbvio, também o sonho de Leão XIV. A missão evangelizadora faz parte da identidade da Igreja e dos seus membros. Não se pode ser discípulo sem o compromisso missionário, sem extravasar a alegria de ser de Cristo e da vontade em contagiar outros para Jesus Cristo. Não se trata de proselitismo, na pertinência e expressividade de Bento XVI, mas de atração. Quem vive a alegria do Evangelho há contagiar outros, há de fazer com que outros queiram conhecer Jesus e o Seu evangelho.
A iniciar o seu ministério papal, Leão XIV deixa claro este compromisso identitário: “Devemos procurar, juntos, como ser uma Igreja missionária – uma Igreja que constrói pontes, que procura o diálogo, que está sempre aberta para, como esta praça, acolher a todos de braços abertos. A todos os que precisam da nossa caridade, da nossa presença, do nosso diálogo e do nosso amor”.
No último Domingo, no Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, Leão XIV deixava claro: “Irmãos e irmãs, hoje inaugura-se na história da Igreja uma nova era missionária. Se durante muito tempo associámos a missão ao ‘partir’, ao ir para terras distantes que não conheciam o Evangelho ou se encontravam na pobreza, hoje as fronteiras da missão já não são geográficas, porque a pobreza, o sofrimento e o desejo de uma esperança maior vêm ao nosso encontro.
Não se trata tanto de ‘partir’, mas sim de ‘ficar’ para anunciar Cristo através do acolhimento, da compaixão e da solidariedade”.
Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 95/44, n.º 4821, de 8 de outubro de 2025



