Há-os para todos os gostos.
Luzes, figuras, presépios, pais-natal, estrelas, árvores enfeitadas e iluminadas.
O comércio cedo, em setembro ou outubro, começa a engalanar as lojas, antecipando o Natal e as compras. Aldeias, vilas e cidades aderem às iluminações, mais cedo ou mais tarde, recordando-nos que estamos na época natalícia.
Depende do ponto de vista, mas poderemos ver, nestes sinais exteriores, chamadas de atenção para a importância do Natal, numa perspetiva cultural, social, tradicional, mesmo que nos esqueçamos qual o fundamento, a razão e o conteúdo do Natal. Assume-se, muitas vezes, assim se vai ouvindo, como uma festa de aniversário sem o aniversariante.
Para nós cristãos, terá que ser um pouco mais. Claro que as luzes, a árvore de Natal, o presépio, a troca de prendas, tudo isso é sinal e expressão da celebração do Natal. A oportunidade para a família se reunir, para os amigos marcarem encontro, para empresas, associações, grupos e comunidades promoverem um almoço ou jantar de Natal, tudo isso é importante. É uma época em que as campanhas de solidariedade provocam mais impacto e, por conseguinte, é também nesta ocasião que várias instituições as lançam, sabendo que as pessoas, à partida, estão mais sensibilizadas.
Já não é de somenos importância. É um bom ponto de partida e, mesmo que se fique por estes aspetos, a comemoração do Natal já tem uma dinâmica positiva e até transformadora. Também neste período, os apelos à paz são mais insistentes e as tréguas, em algumas situações, são possíveis. Pena é que depois se volte ao mesmo.
Para nós cristãos, no entanto, ainda é pouco e terá que ser um pouco mais.
Não queiramos ser apenas um enfeite do presépio ou da árvore de Natal, mas figuras que integram o Presépio e se deixam tocar pelo nascimento de Jesus. No presépio, as figuras centrais são Jesus, Maria e José. Jesus vem da eternidade e do infinito para Se deixar ver, acolher, para Se deixar encontrar. Faz-Se um de nós, para nos fazer participantes da Sua vida. É o mistério pascal, da Sua morte e ressurreição. Vai para o Pai, mas vai para nos preparar um lugar. É o mistério da Encarnação, faz-Se um de nós, encarna, assume a nossa condição mortal e finita, para que, n’Ele e com Ele, nos façamos parte da Sua vida divina, como novas criaturas.
Somos chamados ao Presépio, não para ficarmos a apreciar, de fora, por mais espanto que nos possa provocar, mas para entrarmos, para integrarmos o Presépio, como figuras importantes, Deus ama-nos tanto que nos dá o Seu filho muito amado, assumindo-nos como filhos. Sejamos parte, mais perto ou mais distantes, mas a caminho. Com efeito, no Jubileu 2025, a temática escolhida foi precisamente “peregrinos da Esperança”. Esta esperança vem-nos de Jesus; o Seu nascimento e a sua vida por inteiro, é esperança sólida, que não engana, que nos rejuvenesce e nos dá o vislumbre da eternidade. Somos filhos do tempo e da história, mas somos sobretudo filhos do amor, filhos de Deus, cuja vida não se limita à fragilidade temporal e cronológica, mas tem o selo de garantia divino, na abertura para a vida plena em Deus. Peregrinos… a caminho…
Não sejamos apenas enfeite de Natal, mas deixemo-nos iluminar por Jesus Cristo, aproximemo-nos de Maria e de Jesus, para absorvermos a Luz que não se extingue.
Não ofereças apenas presentes, sê presente à família e aos amigos. Os presentes poderão ser gesto e expressão do teu afeto, mas importa que te dês tu, com a tua alegria e presença, com as tuas mágoas e esperanças.
Parafraseando o papa Francisco, Deus ama-nos como somos, sem maquilhagem, com as nossas qualidades e com as nossas debilidades. Em tempo de Natal, não nos maquilhemos de simpatia e generosidade para logo voltarmos ao mesmo, mas, a haver maquilhagem, que seja interior, a luz, a paz e o amor que Jesus, o Deus Menino, nos traz.
Santo, feliz e abençoado Natal para todos, colaboradores, anunciantes, assinantes, amigos, leitores. Muito obrigado por fazerdes parte deste caminho.
Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 96/06, n.º 4831, de 17 de dezembro de 2025



