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Encontro(s) de Maria com Jesus

Numa das edições anteriores, centramos a nossa atenção nos “Encontros significativos e vitais” que alteram a nossa visão sobre a vida e sobre o mundo, desembocando sobretudo nos encontros com Jesus que transformaram a vida de muitas pessoas, de famílias e comunidades.

Hoje desafio-vos a fixar o olhar e coração em Maria e no encontro com o Seu Filho Jesus. Podemos situar a relação de Jesus com Maria como um encontro que tem início na anunciação do Anjo e com o sim de Nossa Senhora, mas que não tem fim, perpetuando-se na eternidade, ou como um conjunto de encontros narrados nos Evangelhos.

São João, no seu Evangelho, utiliza a inclusão: Maria no início da vida pública de Jesus, intervindo ativamente, nas Bodas de Caná e na transformação da água em vinho, e no final, junto à cruz, ocasião em que Jesus entrega Sua Mãe ao discípulo amado. É como se Maria nunca tivesse saído de cena, pois está no início da história e no final. A sua presença é impercetível, mas no momento decisivo ela está lá.

Nas Bodas de Caná, Maria foi convidada. Jesus e os discípulos também estão presentes. É ela que desencadeia a intervenção de Jesus, aproximando-se e dizendo-Lhe que os noivos não têm vinho. Logo de seguida dirá aos serventes: fazei tudo o que Ele vos disser. A breve hesitação de Jesus, se é que há hesitação, faz-nos olhar mais atentamente para Maria, para o seu cuidado, delicadeza, atenção aos outros, faz-nos ver a proximidade e confiança em Jesus, Seu filho amado, faz-nos perceber a lógica da oração que intercede pelos outros (cf. Jo 2, 1-12). A concluir: “Depois disto, desceu para Cafarnaum, Ele, a sua Mãe, os seus irmãos e os seus discípulos, mas não permaneceram ali muitos dias”. Por aqui se vê que Maria está integrada no grupo que segue Jesus.

Já em agonia, na Cruz, como que o círculo se fecha. “De pé, junto à cruz de Jesus, estavam a sua Mãe, a irmã da sua Mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Ao ver a Mãe e, junto dela, o discípulo que Ele amava, Jesus disse à Mãe: «Mulher, eis o teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E, a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a entre os seus” (Jo 19, 25-27). Maria continuará com os discípulos, a integrar a comunidade crente.

Ao folhearmos o evangelho de Lucas recuámos um pouco mais, ao momento da Anunciação. É o primeiro encontro de Maria com Jesus. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38). É um encontro que se desdobra. Maria vai apressadamente ao encontro de Isabel, sua parenta e esta, por sua vez, verbaliza a alegria da presença do Menino no seio de Nossa Senhora. Um encontro que transforma e compromete Maria para sempre. Nunca a veremos desligada de Jesus. Ela será referenciada em diversos momentos a Jesus. Alguém do meio da multidão grita para Jesus: bem-aventurada aquela que te trouxe no seu ventre e os seios que te amamentaram! Ou quando Maria, com os seus familiares, vai ver o que se passa com Jesus. A resposta de Jesus é concludente: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que realizam a vontade de Deus. Maria é a primeira, e desde a primeira hora, a acolher a vontade de Deus.

Mesmo quando não é citada, aceita-se e reconhece-se que Maria está por perto, a seguir, a acompanhar os passos de Jesus, a escutá-l’O, a sofrer por vê-l’O rejeitado, injuriado, maltratado, julgado, condenado e morto. São encontros que nos aproximam da proximidade de Maria a Jesus ou um encontro que não tem fim e se materializa e faz ver em momentos mais significativos. O importante é que Maria é de Jesus. Maria está para Jesus. E quando chega o tempo, Jesus confia-no-la, para que ela esteja connosco, esteja para nós.

As tantas festas populares, por esta altura do ano, têm Nossa Senhora, na sua maioria, como motivação, justificação ou desculpa. Ela está como sempre esteve, connosco e para nós, porque assim Deus quis.

E como é que a acolhemos na nossa vida? Como é que fazemos com que o nosso encontro com Jesus seja para sempre e se renove a cada instante?


Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 96/36, n.º 4861, de 5 de agosto de 2026

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