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Deus, o nosso GPS…

Às vezes, paramos e olhamos para a nossa vida e reparamos que as coisas não correm como tínhamos projetado… os nossos sonhos, expectativas, objetivos… parece que inserimos mal as coordenadas do destino no nosso GPS e estamos a seguir em direção contrária. Ficamos tristes, revoltados, frustrados… sem perceber o que raio aconteceu!

Sentir desilusão quando a vida não corresponde ao que esperávamos faz parte do nosso percurso neste mundo. Estamos aqui por obra de Deus, e é suposto nos guiarmos através Dele, o que nem sempre acontece. Dentro do nosso mundo, idealizamos algo que é perfeito aos nossos olhos, mas nem sempre viável e essencial segundo o Pai.

E é quando nos apercebemos que vamos na direção errada que devíamos debruçar sobre o que nos traz aqui, sobre o propósito da nossa vida e reencontrar o caminho certo, em vez de testarmos e nos revoltarmos contra os desígnios de Deus.

Nós não controlamos o tempo, a única coisa que é moldável na nossa vida são as escolhas, as opções que tomamos a cada dia. Somos livres, e essa liberdade deve ser usada nos moldes do projetado por Deus para cada um de nós, caso contrário, perdemo-nos…

É precisamente nesse espaço de vulnerabilidade que a confiança em Deus ganha um novo significado. Confiar em Deus não é fingir que não dói. Não é ignorar as lágrimas nem calar as perguntas. É, antes, escolher acreditar que há um propósito maior, mesmo quando não o conseguimos ver. É reconhecer que os desígnios de Deus são mais amplos do que a nossa compreensão imediata.

Muitas vezes queremos respostas rápidas, mas Deus trabalha também no silêncio, na espera, no invisível. O que hoje parece um desvio pode ser uma preparação. O que hoje entendemos como perda pode tornar-se crescimento. A fé não elimina a dor, mas transforma-a como o principal motor que nos faz andar. Dá-lhe sentido. Sustenta-nos quando tudo o resto parece incerto.

A esperança nasce dessa confiança. Não é uma esperança ingénua, mas uma certeza tranquila de que não caminhamos sozinhos. Mesmo quando os nossos planos se desfazem, a presença de Deus permanece. Ele vê o que não vemos, conhece o fim desde o princípio e conduz-nos por caminhos que, embora diferentes dos nossos, são os melhores para nós.

Talvez a vida não seja o que esperávamos — mas pode ser exatamente aquilo de que precisamos. E, no meio da incerteza, a fé torna-se âncora. A confiança torna-se luz. E a esperança torna-se força para continuar, dia após dia, acreditando que, nos desígnios de Deus, nada é em vão.


Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/17, n.º 4842, de 18 de março de 2026

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