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Deus, a ciência, as provas

Deus, a ciência, as provas – A alvorada de uma revolução, de Michel-Yves Bolloré e Olivier Bonnassies

No início do século XX, acreditar num Deus criador parecia opor-se à ciência. Hoje não será o contrário? (Da contracapa)

Este é um dos vários livros que falam da relação entre ciência e fé. Muitas pessoas consideram incompatíveis estes dois domínios. Não é o caso de Michel-Yves Bolloré e Olivier Bonnassies, que são cientistas e que não têm dúvidas nenhumas da existência de Deus. Neste livro, mostram, pormenorizadamente, os factos e os raciocínios lógicos em que se baseiam para sustentar a sua fé.

E não estão sozinhos. Um dos capítulos mais impressionantes do livro é constituído por citações de cem cientistas, que declaram, inequivocamente, a sua crença num Deus criador ou que, pelo menos, reconhecem que o Universo teve um início, o que pressupõe, necessariamente, a existência de um ser consciente e inteligente que o criou.

Esta convicção está bem fundamentada em diversos argumentos de carácter científico como, por exemplo, o facto de as constantes físicas que regem o Universo permanecerem imutáveis desde a sua origem e terem as características adequadas não só à génese, evolução e funcionamento do Universo, mas também ao aparecimento da vida. Falamos de números invariáveis como os seguintes: força de gravitação, velocidade da luz, massa do protão e do eletrão, entre outros. Estes números, pilares do Universo, não poderiam ser nem sequer ligeiramente diferentes. Os autores são bem claros quanto a isso: “se um, apenas, destes números tivesse sido diferente em 10%, 1% ou até numa longínqua decimal, o Universo teria sido reduzido a nada ou ao caos, e não estaríamos aqui para falar dele.” É por isso que atribuir ao acaso a criação de quanto existe é uma hipótese muito, muito discutível. É o que pensa, por exemplo, Arthur Schawlow (co-inventor do laser e Prémio Nobel da Física em 1981): “O mundo é de tal forma maravilhoso que não consigo imaginar que tenha acontecido por puro acaso”.

Vale a pena citar também Richard Smalley, que recebeu o Prémio Nobel da Química em 1996: “Ainda que pense que nunca compreenderei completamente, penso hoje que a resposta é muito simples: é verdade. Deus criou o Universo […] e, por necessidade, ocupou-se da sua criação desde então. O objetivo deste Universo é alguma coisa que só Deus conhece com exatidão, mas torna-se cada vez mais claro para a ciência moderna que o Universo foi ajustado de forma muito fina para permitir a vida humana.”

Também grandes filósofos refletiram sobre Deus e concluíram que Ele existe, embora não tenham a mesma opinião acerca da Sua natureza, como, aliás, acontece igualmente com os cientistas.

Entre os filósofos cristãos, destaca-se São Tomás de Aquino, que construiu um raciocínio lógico (as “cinco vias”), segundo o qual Deus existe, necessariamente. Uma dessas “vias” consiste em mostrar que tudo o que recebe existência é causado por alguma outra coisa, mas não se pode recuar até ao infinito à procura de causas, mandando, pois, a lógica que se admita como necessária a existência de um primeiro ser que não precisou de nenhuma causa para existir.

Estes e muitos outros raciocínios são de tal modo convincentes que não é difícil concluirmos, como os autores, que “o Universo […] tem por causa um ser necessário, simples, único, imaterial, atemporal, não causado, infinitamente poderoso e inteligente. Não nos parece exagerado chamar-lhe «Deus»!”


Margarida Dias¸ in Voz de Lamego, ano 95/31, n.º 4807, de 18 de junho 2025

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