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Desenhar Novos Mapas de Esperança

O Papa Leão XIV assinou (27 de outubro de 2025) e tornou pública (28 de outubro de 2025) a Carta Apostólica “Desenhar Novos Mapas de Esperança”, a propósito dos 60 anos da Declaração Conciliar “Gravissimum Educationis”.

Diante do complexo mundo educativo, o Papa Leão XIV não ficou indiferente declarando que a “educação é uma das expressões mais altas da caridade cristã” (1.3)***. Diante da “constelação educativa”, o Pontífice deixou o apelo a todo o ambiente responsável pelo gesto educativo para não fragmentar a pessoa: “separando o desejo e o coração do conhecimento” (3.1). A educação deve ser desenvolvida enquanto tarefa de amor, protegendo “um coração que escuta, um olhar que encoraja e uma inteligência capaz de discernir” (5.2).

Não menos importante para a sua sensibilidade foi a linguagem convocada para falar do gesto educativo, aplicando expressões como: “faceta poliédrica” (1.2); “constelação” (1.2 – 8.1 – 8.3 – 10.2 – 10.4 – 11.1 – 11.3); “coreografia” (6.2 – 11.3); “aliança” (10.1); “rede” (8.1 – 10.1 – 10.4). Estas expressões manifestam a necessidade permanente de atualização metodológica e linguística que procura ir mais longe que uma mera instrução nas plataformas digitais, demonstrando que “nenhum algoritmo pode substituir aquilo que torna a educação humana, isto é, a poesia, a ironia, o amor, a arte, a imaginação” (9.2).

Dentro da “constelação educativa”, o Bispo de Roma retoma “as estrelas” que guiaram a reflexão do seu antecessor, na elaboração do “Pacto Educativo Global”, com os seus sete compromissos. Todavia, o Pontífice inaugura uma nova temporada com a implementação de três novas prioridades: a vida interior; o digital humano; e a paz desarmada e desarmante (10.3), dando novo vigor ao “Pacto Educativo Global”.

Desenhar um novo mapa de esperança para o coração humano é fomentar a atenção e caridade sobre o outro e tornar cada pessoa o centro do gesto educativo. Contudo, tornar a pessoa o centro não é apenas olhar aquele outro que recebe o gesto educativo, é também considerar aquele(s) que o opera(m).

Colocar a pessoa no centro é a realidade, ou grelha de leitura, que permite ver a diferença entre um olhar rastreiro e um olhar elevado. O olhar rasteiro fecha o seu horizonte e perde-se na máquina que tem diante de si. O olhar elevando abre-se à contemplação das estrelas que brilham no firmamento, ampliando o horizonte existencial. Mas a questão não está na posição do olhar, ou da cabeça, que se move mediante a tipologia do olhar. A diferença está na passagem de uma educação férrea e desumana, subordinada às instituições do mercado, para uma coreografia, física e cordial, que a fé provoca na pessoa, mediante a “respiração que oxigena toda a matéria” (6.2).

Segundo a visão de Leão XIV não é suficiente o desenvolvimento de um “perfil de competências” (4.1). O gesto educativo deve ter sempre em conta “um rosto, uma história e uma vocação” (4.1).

A ingenuidade das boas intenções é também refutada nesta Carta Apostólica, vista a importância dos educadores promoverem as devidas atualizações no campo técnico, metodológico, pedagógico e espiritual. É o ser humano todo e todo o ser humano que está em jogo. Será este gesto que guiará o olhar para o longo olhar de Abraão, permitindo “descobrir o sentido da vida, a dignidade inalienável, a responsabilidade pelos outros” (5.1).

Diante desta reflexão, todos somos convocados a desenhar novos mapas de esperança, na nossa vida e na vida dos outros, para que as coordenadas que cada um possa encontrar, sejam guias para a mais plena realização pessoal, que na chave de leitura da fé cristã permite olhar para Deus como Pai e o outro como irmão.

*** As referências dentro de parênteses correspondem aos números da Carta Apostólica


Pe. Miguel Peixoto, in Voz de Lamego, ano 95/48, n.º 4825, de 5 de novembro de 2025

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