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De que lado está a razão?

Discutimos, argumentamos, divagamos, mentimos… tudo em prol de, no fim, nos ser dada razão!

Mas o que é a razão? O que é válido para mim pode não o ser para outro… e a discussão continua, porque nunca terão os dois razão.

Os cortes de relação entre familiares e amigos, as guerras, tudo sem fim à vista, porque as partes não conseguem colocar-se no lugar do outro e ver a sua perspetiva, equilibrar a mistura de sentimentos, de raiva e angústia, e aceitar que não podemos ter sempre razão, que o outro também pode estar certo.

“O importante é mesmo ver que o que vemos está certo sem que tenhamos de ver que o que o outro vê está errado.”

Aceitar a visão do outro não nos corrompe de nenhuma forma, pelo contrário, completa-nos nesta mistura de personalidades que é a nossa família e a nossa comunidade.

“É aquela velha história do seis e do nove, sabem? (…) Aquele número visto de um lado é um seis e visto do outro é um nove. Ambos estão certos e ambos estão errados.”

Para além do nosso pequeníssimo campo de visão e de experiências, existe uma multidão de visões e experiências que só não são “verdadeiras” para nós porque não as vivenciámos, não as sentimos, não as respirámos e não as sofremos.

“É bem possível que, na vida, toda a gente tenha razão e ninguém a tenha.”

Se pensarmos bem e meditarmos naquilo que já foi a nossa vida, é certo que iremos encontrar diversas opiniões sagradas que fomos moldando com as nossas experiências de vida. Em quase todos os assuntos já fomos capazes de pensar de modo diferente dependendo da altura da vivência, ou até, simplesmente, por alteração do nosso estado de espírito!

Se nós vamos mudando os nossos pensamentos, significa que, agora, se defendo que aquela parede devia ser mais alta, e antes defendia que devia ser mais baixa, em algum desses momentos eu teria razão e no outro momento não!

A nossa vida é demasiado subjetiva para que haja razões absolutas!

“Só não tem razão quem a perde de tanto querer defendê-la.”


Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 95/10, n.º 4787, de 22 de janeiro de 2025

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