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Curar se é possível, cuidar sempre

No próximo Domingo, 11 de fevereiro, comemora-se o 32.º Dia Mundial do Doente. O santo Padre, na sua mensagem, parte das palavras de Deus: «‘Não é conveniente que o homem esteja só’ (Gn 2, 18). Cuidar do doente, cuidando das relações».

A nossa referência primordial é Jesus. Sempre. D’Ele partimos, para Ele caminhamos. Ele vem para salvar, redimir, curar, para incluir. A Sua missão torna-se explícita nas palavras e nos gestos. É o próprio Jesus que nos diz: «Deus não enviou o Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele» (Jo 3, 17). «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que têm algum mal. Não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17).

Com efeito, ao visitarmos Jesus, na Sua vida pública, somos absorvidos pela proximidade às pessoas mais frágeis, pobres, doentes, publicanos, pecadores públicos, mulheres, crianças, estrangeiros. O propósito é o da encarnação, Aquele que, sendo Deus, nos assume na nossa fragilidade, não apenas nos procura, mas faz-Se um de nós, carrega, no dizer de Isaías e de outros textos sagrados, o nosso pecado, os nossos sofrimentos, vem para sarar as nossas feridas, resgatando-nos das trevas, do pecado e da morte, do egoísmo e da soberba, do ódio, da inveja e do desejo de vingança. Deus não é juiz ou imperador que comanda a partir do alto, a partir de um pedestal. Deus é Pai que sofre, no excesso de amor, sofre no sofrimento dos Seus filhos. E o Filho bem nos mostra que nada O impedirá de amar, de Se gastar inteiramente, de Se oferecer como vítima por nós, para nos elevar, para nos introduzir em definitivo na vida divina. No ministério de Jesus Cristo vemo-lo a curar, perdoar, ressuscitar, a abraçar e abençoar. Coxos, cegos, surdos, mudos, leprosos, paralíticos! Jesus não se afasta e repreende aqueles que O afastam das pessoas doentes e necessitadas de compaixão e ternura. No Seu caminho, há lugar para todos, o Seu horário é flexível, a sua agenda faz-se… A mulher com um fluxo de sangue, a filha de Jairo, o servo do Centurião, a filha da viúva de Naim, o leproso ou os dez leprosos, o paralítico da piscina de Siloé, a filha da mulher cananeia, a sogra de Pedro, são alguns dos exemplos que mostram que Jesus não faz aceção de pessoas nem Se escusa a acudir e fazer o que está ao Seu alcance para ajudar.

Na intenção de oração (Apostolado de Oração – Rede de Oração do Papa) para o mês de fevereiro, o Papa Francisco pede para se rezar especialmente pelas pessoas necessitadas de cuidados paliativos, pelas suas famílias e cuidadores, pelos médicos e enfermeiros. “Há duas palavras que, quando alguns falam de doenças terminais, as confundem: incurável e in-cuidável. E não são a mesma coisa. Mesmo quando existam poucas possibilidades de cura, todos os enfermos têm direito ao acompanhamento médico, ao acompanhamento psicológico, ao acompanhamento espiritual, ao acompanhamento humano… Nem sempre se alcança a cura. Porém sempre podemos cuidar do doente, acariciar o enfermo. São João Paulo II dizia ‘curar, se é possível, cuidar sempre’… As famílias não podem ficar sozinhas nesses momentos difíceis”.

Na mensagem para o Dia Mundial do Doente, o Papa sublinha a mesma urgência e missão de não abandonar os doentes nem as suas famílias no momento em que mais precisam de auxílio, cuidado e atenção. “Fomos criados para estar juntos, não sozinhos. E precisamente porque este projeto de comunhão está inscrito tão profundamente no coração humano, a experiência do abandono e da solidão atemoriza-nos e olhamo-la como dolorosa e até desumana. E isto agrava-se ainda mais no tempo da fragilidade, da incerteza e da insegurança, causadas muitas vezes pelo aparecimento dalguma doença grave”.

O milagre que nos é pedido é o do cuidado, pelo qual nos tornamos agentes de cura.


Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 94/13, n.º 4741, de 7 de fevereiro de 2024.

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