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Cartas de um canonista ao seu sobrinho

O Conselho Económico da Paróquia

Querido sobrinho:

Não me causa admiração que, tendo tu enveredado pela mania das bicicletas e das motas, agora gastes todo o teu tempo livre a percorrer trilhos de montanha. A beleza natural das nossas serras, dos vales dos rios e das colinas está polvilhada, aqui e além, por povoações e aldeias. O que (ainda) me causa admiração é que, no centro dessas localidades, encontras, muitas vezes, Igrejas e capelas, a maior parte delas antigas, cuja beleza (és tu que o escreves!) te deixa sem palavras.

E colocas, nesta tua missiva, a questão de quem cuida deste património de Igrejas e Capelas antigas, muitas delas cobertas de talha dourada, imagens ancestrais e de especial beleza. A resposta é simples: ainda que muitas Igrejas e capelas mais antigas (sobretudo as que foram construídas antes de 1910) possam ser património do Estado, são os párocos, auxiliados pelo Conselho para os Assuntos Económicos da Paróquia, que procuram (muitas vezes em colaboração com entidades oficiais ou outras particulares) manter esse património único e irrepetível, em bom estado.

Antes que perguntes, demonstrando a tua ignorância, sobre o que é esse Conselho, atrevo-me a dizer-te que é um órgão obrigatório (segundo quanto refere o cân. 537 do Código de Direito Canónico), que reúne um conjunto de pessoas escolhidas pelo Pároco e nomeadas, para esse Conselho pelo Ordinário diocesano, de modo a colaborar na administração dos bens da comunidade paroquial. Ainda que tenha uma função meramente consultiva, pois o Pároco é sempre quem assume o dever por zelar pela administração dos bens, o Conselho Económico Paroquial tem um papel muito importante, pois deve ajudar a escriturar os livros de receita e de despesa; a zelar pelo bom estado de conservação dos edifícios e dos restantes bens móveis e imóveis; a garantir que todos os bens imóveis estão registados e a sua propriedade está assegurada em conformidade, também, com as leis civis; a colaborar na prestação anual de contas à comunidade e à autoridade diocesana competente; entre muitas outras funções que, não sendo as mais importantes (pois as atividades primordiais da Paróquia são o anúncio da Palavra, a celebração dos Sacramentos e o auxílio aos mais necessitados), são necessárias para que tu e os teus amigos possam continuar a apreciar a beleza escondida de tantas Igrejas espalhadas pelas mais belas paisagens que a natureza oferece.

Por isso, lembra-te que, sempre que entras numa Igreja ou Capela, deves ser invadido por um especial sentimento de gratidão a todas as gerações que te precederam, que edificaram esses locais de culto e a todos aqueles que, no presente, por vezes com grande dificuldade, mantêm esses locais com o amor e carinho que lhes brota do coração e da fé.

Com amizade, o teu tio canonista.


Pe. José Alfredo Patrício, in Voz de Lamego, ano 94/12, n.º 4740, de 31 de janeiro de 2024.

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