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Caminhar com Maria…

Estamos em vésperas de maio.

É o mês do coração.

Para nós cristãos-católicos é o mês de Maria.

Bem podemos relacionar o coração e Maria. Em seu coração, Maria acolhe Jesus, o Filho amado de Deus, permitindo desta forma que o Amor pleno, perfeito, duradouro, eterno, chegue à humanidade e se manifeste no mundo e na história. A história de Maria está, inegavelmente, ligada ao coração, à fidelidade, ao amor, como resposta a Deus que ama e dá vida.

A geografia de Nossa Senhora, Mãe de Deus, abarca, nos seus títulos e nas suas aparições, diferentes dimensões da vida, necessidades, intercessão para aflições, louvor, ação de graças, desafio à conversão, penitência e mudança de vida, na prossecução da justiça e da paz, da fraternidade e da comunhão.

Há santuários nos sítios mais longínquos e inóspitos, no alto dos montes, nos vales e planícies, em aldeias pequenas ou cidades populosas, lugarejos pobres ou locais de grande desenvolvimento económico e cultural.

Muitas vezes, refira-se, como Fátima e Lurdes, a aparição de Maria, a devoção e piedade popular, levaram à edificação de estruturas, à fixação de pessoas e comércio, ao crescimento de aldeias que se converteram em cidades.

Alguns títulos correspondem ao mistério da nossa fé, como a Imaculada Conceição ou a Assunção ao Céu, Visitação de Nossa Senhora ou Apresentação de Nossa Senhora, muitos ser-lhe-ão dados pelos crentes ao longo dos tempos: Nossa Senhora da Saúde, dos Remédios, do Ó, do Bom Despacho, da Boa Viagem, da Esperança, da Paz, Nossa Senhora do Rosário, da Lapa, das Dores, dos Aflitos, do Bom Juízo, de Conduzende, Nossa Senhora das Neves… e tantos outros títulos como se pode ver em qualquer ladainha de Nossa Senhora. Com os títulos, festas e celebrações, e tradições, também a escolha de Maria para padroeira de paróquias, ordens, movimentos, associações.

Especialmente neste mês, em muitas das nossas paróquias, a recitação diária do terço, a procissão das velas, caminhadas, peregrinações paroquiais e arciprestais e outros momentos de cariz mariano.

O mês de Maria, desde há muitos anos, em Portugal e em outros países, quase abre com o Dia da Mãe, que já foi na solenidade da Imaculada Conceição e se fixou no primeiro domingo de maio. A solenidade da Conceição Imaculada da Virgem Maria já por si tem um conteúdo que absorve e dispensa a junção de outras comemorações. Em Portugal, desde 1646, Nossa Senhora da Conceição é simultaneamente Padroeira e Rainha de Portugal. A hipótese foi colocar o Dia da Mãe no último dia do mês, mas, não sendo feriado e caindo em qualquer dia da semana, não poderia ser um dia tão solene, pelo que a opção caiu no primeiro domingo.

Desde o início da Igreja que Maria foi acarinhada pelos apóstolos e discípulos, pela comunidade crente, por ser a Mãe de Jesus mas igualmente por ser modelo de seguimento, de oração, de perseverança, de firmeza e fidelidade ao chamamento de Deus, atenciosa aos outros, presente nos momentos mais problemáticos da vida de Jesus e no momento de medo dos discípulos após a crucifixão de Jesus, ela sabe manter o foco e recentrar os discípulos para que não desesperem, mas confiem em Deus, nas palavras de Jesus e nas promessas divinas.

Ao longo do Evangelho, e do Novo Testamento, não são muitas as passagens que nos falam de Maria, o que é natural, já que o centro é Jesus Cristo, a sua vida, palavras, morte e ressurreição e consequências da Páscoa nos discípulos e na formação de comunidades que agregam os seguidores de Jesus Cristo. Mas, nas passagens que nos falam de Maria, apresentam-no-la como Mulher dócil, que sabe recolher-se e rezar, que sabe confiar em Deus, discreta mas interventiva quanto baste, como bem se vê nas Bodas de Caná da Galileia. Com ela aprendemos a fazer o que Jesus nos pede, a viver os mandamentos, na escuta atenta da Palavra, na entrega confiante a Deus: faça-se em Mim segundo a Tua palavra. Façamos tudo o que Ele nos disser e seremos felizes.


Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 96/23, n.º 4848, de 29 de abril de 2026

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