No último dia 7 de junho, a pároco de Magueija, Sr. Cónego Hermínio, proporcionou a todos os seus paroquianos da União de Freguesias de Bigorne, Magueija e Pretarouca, um dia de celebração, conhecimento histórico e convívio, vivido em verdadeira harmonia e sã amizade e camaradagem que assentou em três vetores essenciais; a missa no majestoso Mosteiro de São João de Tarouca, a caminhada que rememora os trilhos dos antigos monges de Cister e o almoço convívio junto à ponte e torre fortificada de Ucanha, nas margens do rio Varosa. Foram anotadas 188 inscrições, para este magnífico evento.
Depois da chegada e arrumadas as viaturas que transportaram os participantes, iniciou-se, pelas 10 horas, a celebração da missa no Mosteiro, presidida pelo Sr. Cónego Hermínio onde deu as boas vindas a todos e agradeceu de forma particular, ao pároco de São João de Tarouca, reverendo padre José Manuel de Deus Ramos, aos seus paroquianos e aos paroquianos de Magueija, abordando, também, de forma sucinta, alguns aspetos mais relevantes do Mosteiro: O Mosteiro de São João de Tarouca é o primeiro mosteiro da Ordem de Cister fundado em território português. Situado numa encosta da serra de Leomil, no concelho de Tarouca, este importante monumento nacional está intimamente ligado à fundação da identidade de Portugal e ao primeiro rei, D. Afonso Henriques.
Marcos históricos
- Fundação: A sua construção começou em 1154 após os monges de Cister apoiarem D. Afonso Henriques nas suas pretensões ao trono e batalhas.
- Apogeu: Teve uma forte expansão e riqueza nos séculos XVII e XVIII, com grandes ampliações decorativas e a edificação do outrora maior dormitório do país.
- Declínio: Em 1834, o decreto de extinção das Ordens Religiosas ditou o abandono do complexo, que foi vendido em hasta pública e acabou parcialmente destruído pelas populações para aproveitamento de pedras.
Hoje, a Igreja permanece intacta e impressiona pela talha dourada, pelos azulejos históricos e pelo imponente túmulo do Conde de Barcelos, esculpido em granito. O templo guarda ainda a célebre pintura de São Pedro, obra-prima do mestre Grão Vasco.
Nas traseiras, as ruínas arqueológicas a céu aberto revelam as fundações das antigas dependências medievais. O espaço conta com um moderno Centro Interpretativo, instalado na antiga Casa da Tulha, que recorre a maquetes virtuais para reconstruir o esplendor do mosteiro.
Na homília, o celebrante referiu que a pedra de toque, deste X domingo do tempo comum, se concentra no facto em que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício, plasmado nas leituras:
- Primeira Leitura (Oseias 6 3-6): O apelo do profeta à conversão interior sincera em vez de meras ofertas rituais.
- Segunda Leitura (Romanos 4 18-25): A fé inabalável de Abraão na promessa divina como modelo de justificação.
- Evangelho (Mateus 9, 9-13): O chamamento de Mateus (o cobrador de impostos) e a afirmação de Jesus: “Não foram os saudáveis que necessitaram de médico, mas os doentes”.
Depois de terminada a missa, seguiu-se um pequeno “reforço” alimentar e iniciou-se um itinerário parcelar da caminhada dos monges (10 km até Ucanha). Selecionadas as capacidades de cada um – caminhada ou transporte – foi possível sentir e admirar o caminho que os Monges de Cister trilharam há vários séculos atrás. Considerado como percurso de complexidade moderada, com maior ou menor dificuldade todos os participantes alcançaram o ponto de chegada, a Ponte de Ucanha, junto ao Varosa onde foi servido um almoço volante e em que a tónica dominante comum foi a manifestação da excelente disposição de todos, culminando com danças e cantares, tão características das gentes de Magueija.
Epílogo:
As experiências sentidas e partilhadas neste dia absolutamente fantástico, vivido com uma satisfação imensa e quando o crepúsculo quase se aproximava rapidamente, encheram-se todos os corações dos presentes de infinita alegria e por isso todos estão de parabéns. Uma palavra de destaque e agradecimento para todos aqueles que tornaram possível este evento inesquecível e montaram a logística necessária para que tal acontecesse, sem qualquer falha, particularmente o grupo coral da paróquia de Magueija e o seu organista cujos acordes tanto enriqueceram e enobreceram a celebração eucarística, as senhoras que prepararam e serviram a refeição, e naturalmente o Sr. Cónego Hermínio, o obreiro de toda esta fantástica operação:
Bem Hajam a todos,
Até para o ano.
Hélio Pedrinho, in Voz de Lamego, ano 96/29, n.º 4854, de 10 de junho de 2026



