No próximo dia 5 de agosto, a Igreja celebra a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, uma das mais antigas igrejas do mundo dedicadas à Virgem Maria. A sua história remonta ao século IV, pouco depois do Concílio de Éfeso (431), que proclamou solenemente Maria como Mãe de Deus. A tradição conta que Nossa Senhora indicou, através de um sinal extraordinário (uma queda de neve em pleno verão sobre o monte Esquilino), o lugar onde desejava que fosse construída a basílica. Por isso, esta igreja tornou-se, ao longo dos séculos, um dos maiores símbolos da devoção mariana, tendo sido mandada construir pela Papa Sisto III.
As igrejas têm um profundo significado para os cristãos. São lugares de encontro, de silêncio, de celebração e de comunhão. Nelas somos seres idênticos, uns aos outros, somos batizados, escutamos a Palavra de Deus, participamos na Eucaristia e acompanhamos os momentos mais importantes da nossa vida de fé. Entrar numa igreja ajuda-nos a recordar que Deus está continuamente presente no meio do seu povo, o Seu Corpo e Sangue.
Mas a própria celebração da dedicação desta basílica recorda-nos uma verdade ainda mais importante: Deus não está limitado a um edifício. Jesus ensinou que o Pai procura adoradores que O adorem em espírito e em verdade. Isso significa que a oração mais bela nasce de um coração sincero, esteja a pessoa numa grande basílica, numa pequena capela, em casa, no trabalho ou a caminhar pela rua.
Ao celebrar Santa Maria Maior, somos convidados a olhar para Maria, que fez da sua vida um templo onde Deus habitou. O verdadeiro santuário que o Senhor deseja construir continua a ser o nosso coração, de cada um de nós, independentemente da nossa cor, profissão ou pecados. Quando rezamos com confiança e fé, humildade e amor, qualquer lugar pode tornar-se um espaço sagrado e qualquer momento pode transformar-se num encontro profícuo com Deus.
Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/36, n.º 4861, de 5 de agosto de 2026




