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Amar é urgente, alegrar-se é necessário

Há dias em que basta olhar à volta para perceber o que falta. Não falo de coisas materiais: falo de paciência, de escuta, de cuidado.

Falta, sobretudo, amor.

Vivemos apressados. Corremos atrás de metas, de notificações, de reconhecimento. Todavia, nessa pressa, esquecemo-nos muitas vezes de parar para amar. O amor que não está nos grandes gestos, mas sim nos pequenos e quase invisíveis que sustentam os laços humanos: um “bom-dia” com intenção, um olhar atento, um abraço fora de hora.

A ausência de amor tem deixado marcas profundas. Há quem sorria com os lábios e chore por dentro. Quem se tenha resignado à indiferença, como se não houvesse alternativa.

Mas há.

E devia haver sempre.

A vida, essa sim, é frágil. É preciosa! E, como se sabe, não vem com garantia de duração… Viver sem alegria é desperdiçá-la. Alegria não significa andar sempre a rir, mas significa sim viver com leveza, gratidão, presença. É reconhecer a beleza que nos rodeia, mesmo nos dias cinzentos — e isso é um ato de resistência.

Se falta amor, sejamos nós a preencher o vazio. Se falta alegria, que sejamos nós a semear. Um gesto simples — um telefonema inesperado, uma pergunta genuína, uma escuta atenta — pode transformar o dia de alguém. Às vezes, até a vida!

Sobretudo, também não te esqueças de ti. Cuida de ti com o mesmo carinho que desejas dos outros. Amor próprio não é egoísmo; é base.

A vida é curta demais para vivermos frios e sérios.

Amar é urgente. Alegrar-se é necessário.

Porque, no fim das contas, não levamos connosco aquilo que acumulámos, mas sim aquilo que demos e partilhámos.


Ana Isabel Fonseca,in Voz de Lamego, ano 95/30, n.º 4806, de 11 de junho 2025

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