Vamos iniciar a semana maior da nossa fé no Domingo de Ramos, vamos acompanhar Jesus na sua caminhada final que é o início de tudo. Desde a entrada triunfal em Jerusalém até ao silêncio do sepulcro e à luz da ressurreição, cada momento vivido por Jesus Cristo revela que foi, efetivamente, um de nós, de carne e osso, pois teve as suas expectativas, sofrimento, abandono, entrega e esperança.
Quando Jesus entra em Jerusalém, no início da Semana Santa, é acolhido com entusiasmo. As multidões aclamam-no, estendem mantos pelo caminho e proclamam-No rei. Este momento lembra-nos os instantes da nossa vida em que tudo parece correr bem: quando somos reconhecidos, quando os outros nos apoiam, quando os projetos avançam e sentimos que estamos no caminho certo. Mas, tal como aconteceu com Jesus, os aplausos são, muitas vezes, frágeis e passageiros.
Poucos dias depois, aquele mesmo ambiente transforma-se. Jesus é incompreendido, traído por um amigo, negado por outro e abandonado por muitos. Quantas vezes também nós experimentamos isso na nossa vida? Momentos em que nos sentimos sozinhos, injustiçados ou desiludidos com pessoas em quem confiávamos. O caminho para o Calvário recorda-nos que a dor, o peso das responsabilidades e as quedas fazem parte da condição humana.
No entanto, no meio desse sofrimento, Jesus não responde com violência nem com desespero. Ele permanece fiel ao amor, à confiança em Deus e à sua missão. Aqui encontramos um dos maiores ensinamentos para o nosso quotidiano: a forma como atravessamos as dificuldades pode transformar o sofrimento em crescimento, esperança e entrega.
A cruz, muitas vezes símbolo de fracasso aos olhos do mundo, torna-se lugar de amor levado até ao fim. Na nossa vida, também carregamos cruzes: preocupações, perdas, cansaços, dúvidas. Mas a mensagem da Semana Santa é que essas cruzes não são o fim da história, mas o início de algo maravilhoso.
O silêncio do sepulcro prepara a manhã da ressurreição. A esperança renasce onde parecia não haver futuro. Assim também acontece connosco: depois das noites mais escuras da vida, pode surgir uma nova luz, uma nova oportunidade, um recomeço inesperado.
Por isso, o percurso de Jesus na Semana Santa não é apenas algo para recordar; é um caminho que se repete simbolicamente na nossa própria existência. Entre as alegrias, as quedas e as esperanças, somos convidados a caminhar com confiança, acreditando que, mesmo nos momentos mais difíceis, Deus continua a escrever uma história de vida e de ressurreição no nosso coração.
Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/18, n.º 4843, de 25 de março de 2026




