A riqueza consiste, não em possuir muito, mas em querer pouco – Epiteto
E o alcance desse objetivo depende dos parâmetros que o definem desde o início.
Na vida, tudo é condicional, seja ao nosso estado de espírito, seja a época ou idade com que estamos a viver.
É natural que sejamos bastante influenciados pelo que se passa à nossa volta, e que, por isso, também as nossas definições dos termos essenciais da vida também sofram esse domínio, e consequentemente, as nossas ações.
Justiça, verdade, paz, amor, perdão, riqueza… tudo vai variando na nossa perceção, no entanto, todos eles são estáticos!
A essência da vivência cristã, registada para memória futura através do conjunto de textos que é a Bíblia, já existe há 2000 anos. Abrindo o nosso coração à sua análise, conseguimos verificar que a base da nossa comunidade permanece igual a esse tempo. O grande desafio, nesta época, visa manter os parâmetros que caracterizam a justiça, a verdade, a paz, o amor, o perdão, a riqueza dentro dos seus desvios originais.
Hoje é comum atribuir a riqueza à “qualidade de ser rico” no que diz respeito à “abundância de bens, ostentação, opulência, luxo”.
O Evangelista Mateus deixou-nos algumas notas: «Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. A lâmpada do corpo são os olhos; se os teus olhos estiverem sãos, todo o teu corpo andará iluminado. Se, porém, os teus olhos estiverem doentes, todo o teu corpo andará em trevas. Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão essas trevas! Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» (Mt 6,19-24).
Em todas as Eucaristias nos é permitido reouvir as palavras de Deus por forma a manter o nosso caminho de forma pura e fiel, cabe, a cada um de nós, “escancarar as portas do coração” ao Pai.
Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 95/30, n.º 4806, de 11 de junho 2025



