Um santo é alguém muito próximo de Deus. Existem muitos, e as causas das suas canonizações são diversas. Embora haja santos que nos são mais queridos que outros, todos eles nos ensinam os caminhos até Deus. A 4 de julho celebramos uma santa que é muito querida em Portugal, a Rainha Santa Isabel. Casou, aos 12 anos, com D. Dinis, Rei de Portugal. Praticou o bem, visitou gafarias, locais onde estavam pessoas com doenças contagiosas, tocou em leprosos e lavou-lhes os pés, gastou a sua fortuna pessoal a ajudar os que mais precisavam e mandou construir o Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra.
À primeira vista, poderíamos pensar que a vida de uma rainha pouco tem a ver com a nossa. Afinal, poucos de nós vivem em palácios ou são chamados a tomar decisões que influenciam um reino. No entanto, a santidade da Rainha Santa Isabel não nasceu da coroa que usava, mas do coração que entregou a Deus e aos irmãos. É precisamente aí que o seu exemplo continua a falar-nos.
Também nós encontramos diariamente pessoas que precisam de uma palavra amiga, de um gesto de atenção ou de um pouco do nosso tempo. Talvez não visitemos gafarias nem cuidemos de leprosos, mas cruzamo-nos com quem sofre de solidão, doença, pobreza ou desânimo. Como Isabel, podemos escolher aproximar-nos em vez de passar ao lado, servir em vez de esperar ser servidos, partilhar em vez de acumular.
A tradição recorda o célebre milagre das rosas, em que o pão destinado aos pobres se transformou em flores. Mas talvez o maior milagre tenha sido outro: o de uma mulher que fez da caridade um hábito e não um acontecimento extraordinário. Os milagres de Deus começam muitas vezes em gestos simples: uma visita a quem está sozinho, um perdão oferecido, uma refeição partilhada, uma mão estendida a quem perdeu a esperança ou que precisa de apoio.
A Rainha Santa Isabel foi igualmente uma construtora de paz. Numa época de interesses e ambições, procurou reconciliar o marido com o filho e evitar conflitos entre reinos. Também nós somos chamados a ser artesãos da paz. Quantas vezes uma família espera por alguém que dê o primeiro passo? Quantas amizades se perdem por orgulho ou ganância? Quantas palavras poderiam ser substituídas pelo silêncio prudente ou por um pedido sincero de desculpa?
Celebrar a Rainha Santa Isabel não é apenas recordar uma figura ilustre da história de Portugal. É aceitar o desafio de viver uma fé que se torna visível nas obras. A santidade não consiste em realizar feitos extraordinários, mas em transformar o quotidiano com amor extraordinário. Cada pequeno gesto pode ser um autêntico milagre.
Se, como a Rainha Santa Isabel, fizermos do amor ao próximo uma prioridade, também nós seremos, discretamente, sinais da presença de Deus no mundo. Afinal, a melhor forma de honrar os santos não é apenas admirá-los, mas procurar imitá-los, um gesto de cada vez, um dia de cada vez.
Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 96/32, n.º 4857, de 1 de julho de 2026



