Naquele primeiro dia da semana, Jesus apresenta-Se no meio dos apóstolos e diz-lhes: “A paz esteja convosco”. Mostrou-lhes as mãos e o lado e de novo lhes diz: “A paz esteja convosco”. Oito dias depois, já com Tomé integrado, Jesus aparece-lhes, coloca-Se novamente no meio deles e volta a dizer-lhes: “A paz esteja convosco” (Jo 20, 19-31).
São as primeiras palavras de Cristo Ressuscitado. Já antes se dirigia de forma semelhante aos Seus apóstolos: “Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde” (Jo 14, 27). É uma saudação, mas também uma certeza e um desafio. A certeza de que esta paz brota do coração, brota do amor e será eficaz quando e sempre que prevalecer o amor e o cuidado aos outros, colocando-os, não como servos, mas como irmãos ou como senhores. Uma paz que não se impõe pela força nem está sujeita a negociações. É um desafio permanente para nós, seguidores de Jesus, imitando-O no amor e no serviço aos nossos semelhantes.
Esta foi também a primeira saudação do Papa Leão XIV à multidão que se encontrava na Praça de São Pedro, à espera da eleição de um novo Papa, e a muitas pessoas que acompanhavam pela televisão, pela rádio, pelas redes sociais: “Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus. Também eu gostaria que esta saudação de paz entrasse no vosso coração, chegasse às vossas famílias, a todas as pessoas, onde quer que se encontrem, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja convosco!
Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz que desarma, que é humilde e perseverante. Que vem de Deus, do Deus que nos ama a todos incondicionalmente”.
A escolha do nome, Leão XIV, aponta para as questões sociais: “O Papa Leão XIII, de facto, com a histórica Encíclica Rerum novarum, enfrentou a questão social no contexto da primeira grande revolução industrial; e hoje a Igreja oferece a todos o seu património de doutrina social para responder a uma nova revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho”. A paz só é possível com o desenvolvimento, a justiça social, a erradicação da pobreza, a verdade.
Robert Francis Prevost nasceu a 14 de setembro de 1955, Festa da Exaltação da Santa Cruz. Aos cardeais, Leão XIV confidencia: “O Senhor me chamou para carregar essa cruz e realizar essa missão, e sei que posso contar com cada um vós para caminhar comigo, continuamos como Igreja, como uma comunidade de amigos de Jesus, como fiéis para anunciar a Boa Nova, para anunciar o Evangelho”. Depois da Eucaristia, no encontro posterior com os Cardeais, o santo Padre volta a reafirmar: “Aceitei um fardo claramente muito superior às minhas forças, como seria para qualquer um. O Senhor, tendo-me confiado esta missão, não me deixa sozinho a carregar tal responsabilidade. Sei, primeiramente, que posso sempre contar com a vossa ajuda e, pela sua Graça e Providência, com a proximidade de tantos irmãos e irmãs que, em todo o mundo, acreditam em Deus, amam a Igreja e apoiam o Vigário de Cristo com a oração e as boas obras”.
Voltando à saudação inicial, a paz e o amor que nos vem de Jesus, o Bom Pastor que dá a vida para que tenhamos vida em abundância. “Deus nos ama, Deus vos ama a todos, e o mal não prevalecerá! Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos de mãos dadas com Deus e uns com os outros, sigamos em frente! Somos discípulos de Cristo. Cristo vai à nossa frente. O mundo precisa da sua luz. A humanidade precisa d’Ele como ponte para poder ser alcançada por Deus e pelo seu amor. Ajudai-nos também vós e, depois, ajudai-vos uns aos outros a construir pontes, com o diálogo, o encontro, unindo-nos todos para sermos um só povo sempre em paz”.
Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 95/26, n.º 4803, de 14 de maio 2025
FOTO: Vatican Media



