Sarah Monteiro Guindeira tem nove anos. Nasceu em França, mas tem no coração as raízes profundas de Vila Nova de Foz Côa, de onde são naturais os seus avós paternos. A devoção a Nossa Senhora da Veiga acompanha a sua família e foi passando de geração em geração, chegando também ao coração desta menina.
O pai, Jorge, fozcoense e devoto de Nossa Senhora da Veiga, transmitiu à esposa, Natália, o amor pela Senhora que sempre o acompanhou. Dessa união nasceu Sarah, batizada na igreja matriz de Vila Nova de Foz Côa. Desde muito pequena, participou nas procissões em honra de Nossa Senhora da Veiga, junto do estandarte e ao lado do senhor Albertino Marçal, a quem carinhosamente chama avô de coração.
Mas havia algo que, desde cedo, prendia particularmente o olhar de Sarah: a imagem de Nossa Senhora da Veiga, o seu manto e o brilho que dele parecia irradiar. A menina contemplava-a com um fascínio especial. Ao longo dos anos, também participou noutras procissões, na terra das suas raízes maternas, São Sibrão, onde se vestiu de anjo, de Santa Luzia, de Nossa Senhora de Fátima e de outras figuras da devoção popular.
Contudo, Sarah tinha um sonho. Um sonho simples, mas enorme para o seu coração: um dia poder ir vestida de Nossa Senhora da Veiga, diante do andor, acompanhando a sua Senhora pelas ruas de Foz Côa.
Pediu-o a Nossa Senhora de Fátima. Era ainda muito pequena e teve de esperar. Esperou quatro anos, sem esquecer o seu desejo. Até que, finalmente, chegou o grande dia.
No passado dia 8 de Agosto, Sarah entrou na igreja com uma felicidade difícil de descrever. Diante da imagem de Nossa Senhora da Veiga, o seu rosto iluminava-se com um sorriso. Vestida como a sua Senhora, sentia-se mais perto dela, como se o seu manto a cobrisse também com a sua luz e proteção.
E, naquele momento, entre tantos pedidos que poderia fazer, apenas um ocupava o seu coração: a saúde do avô paterno, com quem mantém uma ligação muito especial. Aos pés de Nossa Senhora, Sarah rezou por ele, tal como reza habitualmente pelos doentes, pela sua família, pelas pessoas que encontra e que sofrem e até pelos animais, por quem nutre também um enorme carinho.
No dia seguinte, a alegria voltou a tomar conta de Sarah. A convite do pároco, acompanhou a procissão de Nossa Senhora no regresso à sua ermida. Já perto do cruzeiro das Cortes, juntou-se ao andor e, lado a lado com a sua Senhora, percorreu a última etapa até ao lugar de onde Nossa Senhora da Veiga continua a abençoar os fozcoenses e todos os que a Ela recorrem.
Chegou então o momento da despedida. Sarah chorou. Mas aquelas não eram lágrimas de tristeza. Eram lágrimas de felicidade. Porque Sarah sabe que a distância não separa quem ama verdadeiramente. Sabe que Nossa Senhora da Veiga estará com ela em Foz Côa, em França e onde quer que a vida a leve.
Sarah gosta de rezar. Reza ao sair de casa, reza quando sente vontade e sente-a muitas vezes. Aos nove anos, ensina-nos, com a simplicidade própria de uma criança, que a fé também se constrói através de pequenos gestos, de sonhos aparentemente simples e de um coração capaz de confiar.
A história de Sarah é, afinal, uma história de amor: o amor de uma menina pela sua Senhora, o amor por uma família e por uma terra que continua a ser sua, mesmo à distância.
Que o seu exemplo nos recorde aquilo que tantas vezes esquecemos: aproximarmo-nos de Nossa Senhora não exige grandes palavras. Basta um coração simples, uma oração sincera e a confiança de quem sabe que, sob o seu manto, há sempre lugar para todos.
Sarah sonhou um dia estar aos pés de Nossa Senhora da Veiga. E, quando esse sonho se realizou, descobriu que o verdadeiro presente não era apenas vestir o seu manto, mas sentir-se, ela própria, coberta pelo manto de amor e de esperança da Mãe.
Texto: Alexandra Pinto e Natália Guindeira / Fotos: Pedro Daniel, in Voz de Lamego, ano 96/38, n.º 4863, de 26 de agosto de 2026




