No passado sábado decorreu o 1º Encontro de Moradores, uma organização da responsabilidade do jovem Marco Oliveira, imbuído de um espírito de confraternização, entre o “Presente e o Passado”. Num programa simples, teve lugar uma missa em memória dos Moradores falecidos, na capela de NS da Esperança, e um almoço convívio com aqueles que quiseram marcar presença.
Como antigo morador na rua da Seara, para além da presença, contribui com um texto alusivo, onde relatei diversas vivências da minha meninice, adolescência e juventude. Muito resumidamente deixo aqui alguns dos pontos mais sensíveis das minhas memórias daquele tempo e dos seus Moradores.
Porque nasci, cresci e vivi na rua da Seara até aos meus 25 anos, recordei, principalmente, as “Artes e Ofícios” desenvolvidos nas décadas de 50 e 60 do século passado. Para além disso também lembrei outras actividades que se desenrolaram nas respectivas Ruas, agora praticamente desaparecidas. Sem esquecer algumas brincadeiras simplórias das Crianças do meu tempo, que apesar das dificuldades da época nos deixavam felizes!
Mas a vida foi avançando. Os mais velhos foram partindo e os mais jovens cresceram. Tal como eu e tantos mais, no início da década de 70 cada qual começou a procurar um rumo de vida e seguir o seu destino, deixando que a nossa Rua fosse desertificando. Foram-se as “Artes e Profissões”, os meninos tornaram-se Homens, e a rua da Cruz e Seara começaram a ficar vazias. Na cidade foram ficando alguns de nós, que aqui ainda hoje nos juntamos…
Foi bonito o Encontro, que deixou no ar a promessa de no próximo haver surpresas. E um apelo a que todos os Moradores participem com uma qualquer acção, conducente a enriquecer as memórias das nossas Ruas, que no futuro possam ser coligidas num livro de memórias.
João Duarte Rebelo “Festa”
João Rebelo “Festa”, in Voz de Lamego, ano 96/39, n.º 4864, de 2 de setembro de 2026



